sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Adentra-me

Eternizo teu nome e tua forma.
Tua imagem aprofundada,
marca minha voz
minhas mãos nas cordas
no braço que não é o teu, mas que me revive
como tua lembrança.
Por possuir a palavra-viva
somos nossos.
Tua alma abissal me habita
e não há como ser maior.
A beleza de tua morte é
humana, no brutal da visão que é bela
porque também é minha.
E amo-te porque me amo.
Porque és monstruoso,
pedra-bruta-viva.
Porque amas o amor.
Perfeito erro, destruindo tudo em mim.
Que não é nada.

O Mesmo Homem-Amado

Homem!
Divino ser, gris,
castanho perfurando-te a pele!
Homem-Primeiro,
abrasador de minha alma!
Tua morte prevista me absorve o medo,
me assopra os olhos
lagrimados de tua dor,
me avança na ida
pra suturar teu peito.

Homem-Abissal!
Soturna, notígava
adentrarei tua casa;
tua sala;
teu quarto escuro,
como também é
este dia cortante.
E dentro, enquanto te vejo dormir,
deitarei lenta e profunda sobre teu corpo
esguio, reluzente.
Num respiro amoroso
penetro e durmo em ti.
Eternos.

Confissão Pernambucana à Poesia

Me habita um desejo insuportável, Poesia Amada. E sei que também é o teu. Um desejo de ver, eterna e desesperadamente os rosas e azuis, laranjoscuros do céu divino, pernambucano, com o cheiro do Sol na terra, abrindo-me o peito, pendurando a alma, tocando o chão, chorando de beleza.
Amada! Me habita um desejo daquela gente; que, verdade, sabe ver o olho alheio; que me abraça com os braços longos da noite negra-azul-castanha com o calor de um zilhão de estrelas que, apenas lá me viram por uma pequena vez absurda e violenta de amor ao céu e a terra; às pedras e às horas.

Amor&Palavra

Retomar o azul
é como voltar a dormir.
Minh'alma retorna à sua casa,
pacífica e amável, como sempre foi,
sempre será.
Mas o que a poesia atormenta é,
também, sagrado.
A palavra me revive quando
me tentam partir ao meio.
Palavra amada!
Que estejamos sobrepostas
eternamente fundidas
no poema noturno e enfermo de amor à Ela, divina
Poesia.
Pois o amor que lhe tenho
é o mesmo que tenho pela beleza
natural do que sou feita,
e que é feita a natureza do mundo.

Sou

Pequena! Cada vez menor fica minha visão.
Menor o desejo de desejar.
O que permanece, transfigurado está.
Pequena e sem rosto, a fotografia amorosa que fiz do amor;
desfigurada das águas vindas de mim.
Naquele dia, frente ao mar, fui e sou
pequena e sozinha.

UnaPonte

Caminho com os dedos,
sobre as pontes, pequenas,
longínquas, feituras do tempo
e chego ao outro lado.
Dali posso ver você;
a cor de tua pele
ímã, prisão divinal.

Akário
           é
                palavra
                            do
                                teu
                                     gosto.

Oro

Permita-me, Poesia
que o silêncio seja teu;
que seja em tua mão
meu deleite e sossego.
Ajuda-me, amada minha,
que calar o amor é mortífero
e devastador.
Seja meu braço, meu ombro duro.
Refaça meu corpo em tua força.