quarta-feira, 27 de maio de 2009

Quarta-feira.

...mas então, porque seria assim, tão incômoda. A quarta-feira não é nem começo nem fim; nem cansada nem disposta. É algo que não está no meio, mesmo que esteja, com toda a veracidade do mundo... ela ainda me causa uma grande incógnita, um grande desejo de descobrí-la de uma vez. De bebê-la como se bebe a lata de Coca-Cola num dia ensolarado. Algo que não se discute mas que mesmo assim, ainda insisto em desconsertar de remontar, como se fosse relógio. E ela é, como qualquer outro dia, um dia... mas com uma cor diferente. Com horas diferentes; a quarta-feira é o começo e o fim. A quarta-feira é algo indescobrível. Se cobre com o cobertor vermelho e preto que se guarda em cima do armário por uns bons anos. Tem um cheiro de passado, de saudade. Nem sei se ela merece toda essa trama, essa filosofia; mesmo assim me intriga, me mantém aqui, falando como quem nunca falou antes.
São meus olhos que se cansam de lê-la. Quarta-feira, quarta-feira, quarta-feira, quarta-feira. é a Quarta, ams na verdade a terceira. Pra ninguém que viva uma vida como a minha acredita que o Domingo é o começo... continua.

domingo, 24 de maio de 2009

Bruna

Indeterminado o sabor da tua conversa,
sempre que me toca, quero escrever o poema do teu nome.
Meus versos perseguem a tua imagem, oráculo do corpo...
teu olhar, imenso céu, azul.....
Mar onde parecem correr,
todos os segredos do mundo.
Meus pés velozes, sedentos de tempo
correm nessa direção, tua direção.
Eu te procuro na sombra de cada palavra,
querendo roubar teu dia, tua verdade:
"a tua pureza me purifica", me comove.
Sigo carregando tua lembrança, tua música,
teu sangue é meu sangue, e escorre pelos olhos,
diminuindo a distância que nos separa...
Meu silêncio é teu silêncio, é nosso...
e quer dizer tanta coisa.
Assim como tua voz, tua Bossa é nova,
sensível, emana de ti, visceral....
e aprecio cada sílaba tua com sabor de estréia
Quando olhastes bem nos olhos meus.."
tudo mudou de lugar, parei de querer entender,
pra só saber de ti...
Que o tempo me devore, que a noite me obscureça,
mas que o sonho sempre traga tua presença...
Permaneces em mim...
Por Tiago Araujo

me fascina.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Tiago.

Compartilho os pequenos momentos na superície da minha vida, simples, direto e inteiro.
É como se o passado fosse nosso; e há muito tempo. Como de costume eu vi o que deveria ser visto.
A quantidade não é nada... claro que é algo em muita coisa. mas neste caso, não.
O tempo é folha de outono. As orações são Quintas no decorrer das palavras, as verdades que contei e que ouvi com toda a sinceridade... são esses pontos e vírgulas que me mantém viva. Você foi único ao dizer.
Ouvir suas sílabas vibrarem no timbre grave e as horas nos dedos dos pés, correndo feito vento. Devorar os detalhes, as conversar e as risadas. Sentir falta do que nem chegou ainda.
Dividir a saudade anônima contigo, num lago de canções antigas e frase usadas. São esses seres que deveriam nascer em todos os cantos, em todas as arestas do mundo, como se fosse flor. Nascer em você...
Pretendo morar em ti, mesmo que seja hoje, ou amanhã. Mesmo que seja curto, quero que seja longo.
Você é bicho que se preze.

domingo, 17 de maio de 2009

Lucas.

aquele frio todo fugia, depois de ver você.
reconhecer seus traços foi simplesmente incrível. e aquele sorriso inteiro, e as mãos gigantes nas minhas.
"...olhos de ressaca..."
senti a louca vontade de recostar-me em você. sentir o calor humano do seu ser tão desumano e tão reluzente...
seus braços, suas bocas; morar em você e morrer nas teus ombros, sem pesar. sem pensar, sem correr... simplesmente ser.
você é tão intenso; você é sincero no que é, e me mostra isso com todas as luzes possíveis.
você me encanta. ouvir o que seu é sempre um bônus.
eu tenho certeza de que ainda sentirei você em mim. você está guardado no quarto.
ali, numa doce caixa, cheia de memórias

Nat.

é essa saudade do que não existe que me faz soar campainha, enfurecidamente.
comer seus olhos como quem come sundae num dia de calor.
sorrir pro dia e arrepiar meus pelos num mar cheio de ondas.
e pensar nas luzes baixas e serenas que o sol que me entregaria, quando encontrasse você.
admirar suas costas e seus traços, suas curvas, seus cachos, suas chuvas...
você é tão distante de mim, inteiramente. nossas almas se cruzam sempre que desejo seus corpo no meu.
e seus sorrisos congelados e eternizados pelas lembranças que vagaram por mim.
o consolo nas letras e os amores nas palavras.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Yann.

Como é banal essa distância entre nós. A minha vibração é como a sua. Sou pequena... literalmente. E como me incomoda essa impossibilidade de sorrir ao teu lado.
Talvez seja passageiro mesmo, concordo comigo, Mas então, se é ligeiro, porque não vivê-lo, assim, incertamente.
Não que seja incerto pra mim, mas tenho a grande certeza de que é pra você. Viver um sentimento tão sujo e tão bonito, é tão digno que me invade. E ver você assim tão próximo, no abraço inocente e cheio de vontade... é a saudade de você, mesmo perto. Saudade de algo que jamais aconteceu e que também não acontecerá.
Seus olhos, o semblante e as mãos, a voz... é tudo isso que me perturba. Não vou dizer que é amor, nem o prazer, nem carinho, admiração, paixão ou coisa do tipo. É um afeto estranho, forte, admito. O tempo não é problema pra mim. Talvez deva esquecer, sem mais nem porquês... é plenamente certo correr diante de você e de mim, dizer em poucas palavras que é isso mesmo que sinto.

Kafé.

"... deste amor que eu nego tanto, evito tanto..." ♫

Ver você foi um choque. Seus cachos escuros, quase verdes... naquela sala, com a vista pra janela, o frango xadrês, o papo a'lá Buarquee as cordas. A minha vontade, na verdade, era trocar saliva, teus lábios nos meus, beijocas, amassos. Como quiser !
A minha ignorância era visivelmente acidental. Ah... teus lábios carnudos, o sorriso molhado de respeito. Minha insignificância , meu peso, minha fala. Suportável ?
Yo hablo su lingua.
Suas mãos que me envolvem; é belo meu desejo infanto-juvenil... admito que seria com viver em você. Seria aconchegante. Gigante... teu abraço, caminhos diferentes.
Fique pensando em você. Não é nada absurdo, acho que já havia me conformado com o meu afeto. Seus olhos tão cansados... és paciente. foram meus os teus momentos... Você mora em mim e a cada dia nascem cômodos, cômodas e luzes que se confundem no iluminar das palavras graves que ecoam de voce. Tudo me conforta. Você é extremamente macio.
Não digo que o que eu sinto é amor, talvez admiração... Afeto que afeta o carinho. É real.

Kafé
Guilherme

a ida bela

Era claro. O sol ainda nem tocara seus lábios brancos, seus dedos duros. Um passado todo havia acabado de morrer... literalmente. Sem contar o futuro, é claro. Então seria uma vida, pois sem futuro ou sem passado não passaria de algumas lágrimas e toneladas de papel higiênico.
Ela morreu ainda viva; já conheci mortos que viviam... que respiravam, comiam, andava mas não sentiam absolutamente nada. Mas ela não... ela morreu viva. Feliz na ilusão mas não deixava de ser.
Como sempre, não passou de um mero assassinato, uma morte a mais num mundo medíocre. Há minutos atrás ela estava azulada e agora seu corpo era loiro. Os raios de sol a tingiram. Antes era um mar; escuro e profundo, sujo de choros. Haviam dançado, beijavam-se, tocavam-se, de modo que as marcas nos corpos fosse fundas o bastante para tocar suas almas no ponto central. Jorrando, liqüificando a dor e sorrindo na cama.
Elis; com seus pés oblíquos e nulos, as costas frias e pesadas. Júlia não estava completamente nua... suas calças estavam presas até demais, e aquele volume era extremamente suspeito. Depois, a valsa em ré menor dançada lentamente, se repetindo na imagem do vitrô da varanda entreaberta. O amor mais sincero que já presenciei.
E no seu olhar profundo e vazio, Júlia sentiu o arrepio percorrer-lhe o corpo todo. Era o último suspiro, depois de rodar com ela na cama, cravada entre os seios claros e duros de Elis, o volume havia desaparecido. Era uma faca. Na verdade Júlia só se deu conta do que fez após seus longos 14 segundos. Desde o início não sabia o porquê da morte que causara. Era algo que não era ela, um outro alguém que a invadira na noite passada.
Seria, talvez, a alma inadequada da pobre genitora de Elis ? Depois da sua morte sofrida, um câncer no cérebro, fatalmente indignada com a escolha da filha. Aquela mulher injusta que jamais aceitara o amor das duas. Com toda a certeza, seria capaz de dilacerar o corpo de sua filha tão incerta. Talvez fosse vingar-se com as mãos da causadora de tudo isso.
O cheiro do sangue que caía daquela pequena boca limpa encorajou-a. Ouve-se o impacto do corpo ciano de Júlia caindo no asfalto morno e molhado. Afundando impiedosamente na avenida principal.
Havia sonhado com tudo isso. Lembro-me bem no final... Numa alma só, dançavam a valsa em ré menos... choravam juntas o amor imortal, predestinado, aprisionadas no prazer.