domingo, 16 de agosto de 2009

Invejem-me.

Como é bom enxergar cada detalhe, toda a beleza das coisas...Das palavras, da música, da poesia, dos corpos e rostos estampados nas ruas.
Enxergar a mais leve tristeza e a mais eufórica alegria em cada lágrima, em cada gesto.
Como é gratificante viver nesse universo tão grande, mas tão insignificante aos outros, aos cientificamente felizes, com seus fetiches e sonhos mesquinhos. O egoísmo eu até entendo, também sou. Gosto de falar de mim e do que sinto em relação a outros.
Nunca deixei de ouvir, realmente. Procuro ver em cada dobra, em cada vão todos os punhados e sentidos que possam se dar à alguém.
É um valor tão grande que habita nos sentimentos, no amor verdadeiro e eterno. Ou só a paixão concebida pelo mistério e pela vontade; pelo desejo de sentir a carne roçar a nossa.
E como é gratificante se afundar nesse mar de partículas. Poder mastigar tudo isso, sentir intensamente tudo aquilo que se joga fora, que se pisa e ignora. Como é bom poder ficar com tudo isso, sem ter que pedir permissão... A minha vida não é feita de coisas; é feita de seres, de vidas e cores. É feita de sentimento. Podem invejar-me, grandes reis do mundo medíocre. Minha satisfação será eterna.
A beleza do choro e da emoção, dos arrepios que se corre. Quando se recebe palavra de quem o coração palpita... A beleza que invade nas flores e curvas da alma. A beleza da calma, da saudade, da curiosidade... Sou uma lupa.
Somos todos grãos, mas praias também são gente. Não há nada grande ou pequeno.
Existem apenas cegos.