domingo, 27 de setembro de 2009

Lencker

Como é bonito... o que há entre nós já passou de amor, passou de carinho; também não há necessidade de nomenclaturas. Aflora minha mais pura alma, nossa mais pura música. É certamente o mais inteiro sentimento.
Nossos sambas, a cada compasso, a cada pausa, um vazio que transborda, que corrói, tecendo cada figura sem horas, nem dias. O tempo é relativo. Somos um só, ali... somos apenas música; e sorrir, em nós, é como correr ao mar, sem nunca chegar. Traçar os horizontes, as manhãs. É um quadro, um retrato pintado à notas, pelos dedos.
Não precisamos de metrônomo. Somos a sintonia em pessoa.
Comi a inspiração... um prato cheio dela. Bebi tudo o que havia nele. E como é bom, sentir lentamente o que pinga, sem pressa, dele. Temos fome de nós, fome de tudo, fome de nada do que vive. Fome do que apenas é.
Somos apenas o que sobrou de nós. Juntar tudo e guardar. Reciclar, reenscinar, reviver.
E guardar.
Essa alma toda, mulheres em nós, gratinadas aos molhos, aos olhos dos mundo, aos olhos do resto. Somos tudo isso... ou quase nada.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Só.

Eu acabei de me conformar... será assim, até o fim. Não há mais o que se fazer.
Como dizem, necessito de paciência.
É isso que irei me dedicar: à grande e sábia paciência.
Hoje, pretendo dormir, para acordar do grande sonho, da grande ilusão que tento viver.
Apenas pra continuar, pra sobreviver.
Talvez esse seja o fim. Ou a continuação.

domingo, 13 de setembro de 2009

k.



Sim, bebi há poucos dias, mas foi um gole só. Especificamente na quarta-feira; quase à noitinha. Caminhei sem rumo, ao rumo da estação... E só após sentir-me inteiramente é que sorri. Mas foi curto; foram alguns segundos pausados, pousados na ânsia de chorar compulsivamente. E logo fez-se o pranto... À saudade instantânea. Ah! Mas como chorei, como perguntei-me, quantas vidas passarei assim; sorri. fingi que alí, morava a solidão. E nela, fiz sua própria morte. Abracei-a e chorei, novamente. Chorei até a volta. Encarei-me assim, aos prantos... passei três dias nele. Mas foram em pausas. De semebreve. E fiz-me assim, dos prantos diários, da rotina do amor e toda essa história de licença poética, pra dizer que é bom chorar romanticamente. Mas confesso que não me cansei, ainda. Pretendo sofrer muito mais. Mas sentir tuas mãos vibrarem, seus cachos cantarem, os braços, sorrindo, são amores infinitos, imortais, que adormecem. Amarei, amo, amei. Será essa, a minha sentença. Pretendo sentir, beber até a última gota desse sentimento tão inteiro.