quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Imperfeito Pretérito

Queria escrever algo triste, confuso. Mais do que já escrevo.
Apenas soltar as palavras, pra que elas voem.
Queria ver a morena sambar, o rio falar, as pedras dançarem.
Queria ver o impossível, os poros abrirem, o céu dormir.
Queria ver os bóias-frias na sombra da alegoria.
Ontem falei com a Lua. Mas era tão cedo; havia pássaros cantando, havia azul no céu. Haviam estrelas mortas, dormindo, ainda. Por trás das nuvens inexistentes, do azul indecente, contraditório.
Eu via Lua.
Questionei-a.
E respondeu. Era um olho... Observando minha imobilidade, minha lucidez.

E eu permaneci ali.
"... você me tirou pra dançar sem nunca sair do lugar, sem botar os pés no chão, sem música pra acompanhar...”.

Eu aprecio a estranheza das coisas, a loucura da retina que abraça.
Gosto da intensidade. Gosto de viver o suspiro até o fim; o que ele causa.
Gosto de amar e mergulhar no mar. Das ondas que cobrem e matam, lentamente o que sou.
Eu gosto de morrer...
Só pra reviver.

4 comentários:

Dani Sampaio disse...

Eu conheço essas palavras... rs.

Seus desabafos são sinceros, Bruna Moraes. orgulhe-se disso.

Jade Follett disse...

"Eu gosto de morrer ...
Só pra reviver"

Muitas vezes para alcançarmos algo grandioso, é mesmo necessário abrir mão de coisas as quais somos extremamente apegados, nos desvencilhar de sentimentos ou ainda sofrer dores dilacerantes, assim como a morte...

Sábias palavras Bruna Moraes...

Para uns, tristes, para mim...

Poesia!

Lanna disse...

esse blog, é ímpar.

Rike. disse...

Porque o céu, pra quem não sabe, é um cemitério de almas perdidas.
Todas as estrelas ali já morreram, são apenas imagens paralisadas de cadáveres lustrosos.