sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

dona chuva, caia!

nunca pensei em amar
em lavar
a roupa
da coisa estreita
que se faz bonita
no tanque
da vida
comendo nossos olhos
como filhos
da boca sagrada
do amor.
fiquemos enterrados
nos sonhos
das ruas
largas
pra correr,
rolar no asfalto
das camas.
fiquemos
nas danças silenciosas
das pernas paradas.
paralíticas.
análise morfológica
do nosso amor
estranho
comicamente
impedido.
pela senhora razão
de óculos e sombras.
pensei
no amor inteiro
forasteiro
da pureza.
e vi as almas
se abraçando
sem paredes.
vi as almas
com braços
de galhos
cheias de folhas
de folhetins
com caras estampadas
de medo.
e nos olhos
a alma inteira
não pura
mas jorrando a
loucura
de amar
um pacote completo
é!
com direção e ar.
mas o tempo não é nada.
coisa de gente engraçada
que se engraça pro infinito
diz que é colheita,
mas é tudo
em laboratório.
nessa hora,
o tempo é tudo.
mas não é nada.
além da aflição
de ver o mar
morrendo de sede
e não beber.
ver o prato quente
e não comer.
deixar a panela
que esfria na janela
da cozinha.
a gente tem medo de queimar a língua.

4 comentários:

kf disse...

uma dimensão diferente da experiência no seu texto, dessa vez;
voc~e não fala dum devir.

ficoou lindo.
é incrível como cê canaliza essas coisas todas pra essa conversão poética.

Cidadão ³ disse...

Desculpe, achei seu blogue por aí, li seu texto, achei lindo, também, e resolvi traduzi-lo em meu blogue.

Espero que você não se incomode! É uma homenagem.

http://republicadoscabacos.blogspot.com/2009/12/mrs-rain-fall.html

Abraços!

Cidadão ³ disse...

Pelo que eu entendi, você queria TAMBÉM em português, certo?

E não apenas em "inglês".

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Adicionado o msn, embora tenha o msn cá dito que "putaqeparil@hotmail.com" não existe.

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ócus pócus.

gutipoetry disse...

Nítida evolução em seus poemas...muitas imagens...interessantes confrontos...sem receios de queimar a língua...de manchar o papel...de se diluir com a tinta1 Parabéns!