terça-feira, 15 de dezembro de 2009

grande fim.

(Ao som de Lenine - Quadro-Negro)

Essa gente, tão estranha. Como pode, viver no fio do vazio? As pontes, os túneis, os faróis. As luzes que ofuscam nossas almas pequenas de tanto caminhar. A gente acende a luz do breu, quando sai. Caminha até o fim, e salva os cegos. Ah, quantos heróis. Que belo! "...quem vai pagar a conta? Quem vai lavar a cruz?" São só corpos velhos. E almas recém-nascidas. Difícil falar, aqui, nessa cidade, nessa casa, nessa lâmpada, nesse frio, nessa mãe. Esses pais, o que são? Filhos? São coisas; estranho, cômico, come cu de humano feio. Come palavra de animal, vestindo gente. Nem animal merece comer gente. Carne fria. Alma magra, morta de fome.
E ninguém leva à sério. Gargalham da minha realidade. Bando de cegos, mau amados, não vêem o óbvio, o claro. E se fazem cegos, por querer. A clareira da cegueira do céu, cheio de casas, de árvores e frutos. Asas e maçãs do rosto, bonitamente rosadas, obesos de beleza.
Ah! Grande bolo fecal.
Me indigna, essa gente crua, sem tempero. Quem sabe, distribuir sal, pimenta nas palavras, ajuda a pobreza morrer. Se extinguir.
Quero um fim! Já!

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