sábado, 26 de dezembro de 2009

Sampa

A loucura está em todos os lugar ao mesmo tempo.
São esses varais extensos,
essas calças magras.
As pernas espalhadas pelo chão
de pedra
que ilustram meu quadro.
Pintei à mão
com meus olhos urbanos.
As artérias cinzas, e seus glóbulos
apressados, engravatados,
sorridentes.
As paredes de pano,
os berços de cimento
as crianças de vidro
os anônimos nômades são a realidade.
Adirem aqueles
que só vêem sua vida passar.
A nossa vida passar.
São santos,
romeiros sem fé.
Quem é você?
Hein? Me responda:
Quem é você?
Sou gente...
gente que vive
da sobrevivência do riso.
Nasci aqui,
nessa selva de mármore e luzes.
Nesses museus de fuligem.
Somos canos, formigas nos trilhos
do universo chamado
São Paulo,.

Um comentário:

gutipoetry disse...

Lindo! magnífico! anda escrevendo o fino, o mais sensível possível!