quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

voltas?

me deixaste, curumim.
foste embora, com suas pernas e outras.
foste embora, curupira, com seus pés virados pra mim.
o chão não toca seus pés... são eles que o tocam.
"onde é que você some? que horas você volta?"
sua voz carregou-me pra dentro da mata...
me roubaste o coração, anjo.
ladrilhou a rua?
me enganas com as canções?
sei que não...
dormes em mim, grandes olhos.
mas ficas por lá, por fora da cama, na varanda, olhando as vestes, as grandes vagas.
ficas na rua, nas camas, nas casas.
mas voltas, com seu cheiro.
deitas na cama, em silêncio.
e choro a falta, o frio.
e então acordas feliz,
musicando palavras que fiz,
e tudo vira um só.
viramos nós e eu.

sábado, 23 de janeiro de 2010

feliz

vou cantar, meus irmão!
vou comer o prato cheio,
pra alimentar a alma.
os compassos me alegram.
me deixam sorrindo,
feliz!
HAHAHAHAHA
rindo à toa!
que maravilha!
com violões, pássaros,
olhos bonitos,
bancos, sapatos
e mesas cheias.
cantar pro sete mares
pras mil sereias
pros céus de onde for.
vou sinceramente
feliz.

maquinaria

quero um samba
pra sambar cadeiras
Candeias
cadeias
Cândidas
canalhas.
querem folhas
pra escrever
de verde,
vermelho,
melhor que se pode,
solúvel matéria
do chão.
queres cinzas
pra bater cinzeiros
fomeiros
famintos,
máquinas lingüiceiras
de gente.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

céu, cama, carro.

Você viu? Quanto céu na estrada.
Quantas mãos no banco.
Quantas pernas no chão
No colchão...
Comi todo seu cheiro.
Bebi toda a piscina;
Guardei saliva
Pra tocar na boca
Que jamais toquei.
Chorei doce
Quando no cavalo branco
Que sentado, corria
Sorrindo, como um rei
Um Dom VI.
Como são belos seus olhos
No meus.
Dançar no silêncio...
Nem precisa da banda.
Ela quase nem existe, lá
Quando nossos corpos se encontram.
Minh'alma arranha a tua
No encontro longo
Dos colos,
Queimando.
Sede de você
Nas pernas,
Nas costas.
A barba roçando
Lentamente.
Que belo fim
Do começo,
Que se faz inteiramente
Metade.