quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

soprador

cortinas vivas
do vento artificial
sentado na cadeira
na menor sala
da casa.
que saudade
saudade
saudade
saúde
saudável
saliva.
cadê a luz?
ai, mas cadê a luz?
o tal do Deus
levou o Sol pra casa.
agora tô aqui sozinha,
no escuro.
e você ta-hí,
sentado
na cadeira,
soprando feito bobo
as cortinas da vida.

gota d'água

que repugnante. o cérebro humano.
quanta coisa estranha.
sexo
comida
pele
futebol
nicotina
morenas
quanta coisa suja,
imunda.
inunda os dias
INFERNAIS
do meu ser
humano
e ser
humano
é realmente
REPUGNANTE.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

muda.

às vezes me sinto tola, por escrever sobre o amor e suas cores.
como se não houvesse mais nada.
e na verdade, não há.
é minha música pra dançar.
minha esponja pra lavar a louça.
são meus sapatos, meu senhor...
é tudo cinza lá fora. essa gente que não fala minha língua...
não consigo ver nada de mais.
aguardo suas cores, pra poder ver.
mas admiro a fé e a cegueira.
e quando termino minhas palavras, sinto
vontade de jogá-las pra lá.
pra escuridão...
não sei se tenho amor
por esse bolo de sílabas.
não sei mais o que é amor.
não sei mais nada sobre o fim

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

vo cê

saudade
dos teus braços bordados.
seu cheiro verde-mato.
saudade do curupira
que habita tua
alma
saudade do sorriso
que abres
nos olhos...
todos os dentes.

boca de lixo

"boca de lobo
no beco de lodo
saco de lixo
na boca do povo
resto de gente
num banco de toco
fez Zé pensar
na sua vida de louco
cego sem medo
da cor do irmão
caneca velha
tilinta o dobrão
cachorro sujo
lambendo essa mão
que agora dorme
em frente ao portão."

do velho novo poeta Ítalo Lencker, em sua casa, em 10 de fevereiro de 2010.
logo, não necessitará de poetisa.

eu passarinho, tu cacarejas.

virei passarinho de gaiola.
foi embora.
bateu a porta
na cara
da rua e
levou a marmita
pra comer-me mais tarde.
não passarinhei,
depois que partiu.
sentei no puleiro,
e tomei banho de bacia
pra lavar a alma
que tua vida sujou...
não tem vergonha, meu caro?
meu canto não vale
a marmita
não vale a porta
não vale a rua, a puta
a cerveja que foi abraçar.
vá, mas volte.
e minta
descaradamente.