segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

muda.

às vezes me sinto tola, por escrever sobre o amor e suas cores.
como se não houvesse mais nada.
e na verdade, não há.
é minha música pra dançar.
minha esponja pra lavar a louça.
são meus sapatos, meu senhor...
é tudo cinza lá fora. essa gente que não fala minha língua...
não consigo ver nada de mais.
aguardo suas cores, pra poder ver.
mas admiro a fé e a cegueira.
e quando termino minhas palavras, sinto
vontade de jogá-las pra lá.
pra escuridão...
não sei se tenho amor
por esse bolo de sílabas.
não sei mais o que é amor.
não sei mais nada sobre o fim

2 comentários:

gutipoetry disse...

Esse poema consegue fotografar toda a realidade que vivemos, consegue como se fôsse uma esponja absorver todos os suores e lágrimas que derramamos sobre os nossos sonhos, esfregamos imagens em nossos olhos, entupimos de sons os nossos ouvidos, embaralhamos soluções mirabolantes em nossos cérebros para conseguirmos realizar os nossos intentos e, depois que concretizamos, sentimos o sabor acre, o lacre do desgosto.A frustração tem um rosto sómbrio e a esponja repousa num canto qualquer da pia , olhando desolada o espelho inoxidável. Grande percep~ção!

Babi S. disse...

eu não costumo conseguir escrever poemas assim, em versos. Então, sempre admiro quem consegue. E além disso, ainda é um bom texto.