quinta-feira, 29 de abril de 2010

carne-viva

quando é que voltas? pra comer-te
aos olhos
aos dedos
aos montes de poros abertos
onde é que se escondes?
pra poder me esconder juntamente
e esconder
nossa carne
quente
doente
de fome
onde é que moras?
pra deitar no teu lar
no teu corpo vermelho
cor de sangue
pra matar a sede no seu sal
que mais parece mar
mais parece lar
de peixe-vivo
n'água quente.
quero a doença, a loucura
pura
escura
nos lençóis
nas janelas
nas paredes,
roçar-te.
devorar
lentamente
e engolir,
feito cachaça.
quero varrer-te
limpar-te com a boca
padecer-te
ser carne viva.

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