segunda-feira, 26 de julho de 2010

sem ter havido.

sabe dos bordões
que carregas
dos olhos de cigana
da pele
feito areia
que levanta
aos braços
de chuva
que tenho
e permite ver-te
negro
e branco
casto
rubro
quero ver-te
aos olhos da alma
calada
cantando
os olhos, os braços, a pele.
quero ser-te.
pra caber-te no meu.

sábado, 10 de julho de 2010

josoé

e lá vai o velho
no corredor dos vivos
da morte
correndo, nas rodas
com moças de branco
chorando sangue de dentro
cadê o moço?
aquele quase velho
aquele que foi-se
pra cidade mais longe
deixou o velho pra lá?
o velho que namora
a grana
a cama
o sacana que guardas
não vale a pena

guardou rancor
e agora sangra
sangra
comendo a desgraça
que deixou
na casa da velha
bonita
caída na mágoa
o velho que procura filho
depois da cria
o velho cru
magrelo
deixou o patuá
pra lá
foi ver a verde
conta
deixou o preto velho
foi ver o grande automóvel
que mais para.

coitado do velho
comendo o pão
que tanto o diabo amassou
pra justo ele
tão sábio
tão claro
tão tolo
comer feliz
coitado do velho
vendo a morte
roçar as pernas
lamber os lábio
tá lá, meu velho
tá lá em baixo da cama
ao pé do seu.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

salgado

contanto que me traga
de volta
aquele abril
maio
quantas raposas famintas
deixou?
"todos nós erdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo..."
azulejos azuis
colocou em minha sala
vasta
vazia...
foi embora com dias
calorosos
serenos e cheios de
brutas mãos
vá-te embora antão
saia antes que minhas mãos
queimem tua alma
sadia, santa.
cala minha boca com
flores, entao.
já que tua boca nao vive mais aqui
pra calar-me.

Obrar

Se borrar
Apenas
No belo buraco
Branco
Ou marrom
Tanto faz.
Para obrar
Belamente
Não me conte
Mon amour
Prefiro imaginar-te
A dançar
Não quero ver
Cagar-se
Cocô, bostelão
Da janela vê-se
A vontade
A valsa do trono
Quente
Queimando
Um cigarro
No banheiro
Privado prazer de
Livrar-me de ti
Óh amado bolo fecal, desprezível
Ah! Que beleza,
Minha feliz
Amiga!
Levemente
Deixá-la
Cair nas águas profundas
Límpidas
Quanta violência
E vergonha
E tabú
E frescura
Conter-te é um pecado
Intestinal
Como é belo
Cagar-te

quarta-feira, 7 de julho de 2010

da casa vazia

minh'alma abriga a tua assim
em mil dias,
com seus cigarros
e horários
e cordas
seu cansaço,
seus planos
longíquos de mim.
comer em casa,
e filmes não vistos aos berros
a fuga mansa de teus olhos
e teu cheiro,
ah!
o prazer de tê-lo em pausas
em figuras,
são orgasmos
da alma.
em alfa,
ser o braço
do teu violão.
sentir a ponta dos dedos
falarem de dentro.
amo-te,
mesmo quando deixas minha casa
vazia.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Desabrigo

Eles moram na casa
Que anda comigo
Aos morros
E casas
E prédios
E barracos.
Às vezes tão perto
Do lar
Mas sem pernas para buscá-las.
As casas que
Permaneço vazias.
Não os deixo entrar.
Não quero fechá-las
Que pena que sinto
Dos meus botões
Desabrigados
Todavida.

À amada

A poesia precisa de mim
E eu a preciso
A persigo, a prevejo
Penduro, procuro e sempre
Provoco
Aos berros, aos riscos
Aos tragos, aos trancos.
A rua, o rio
A margem
Que acaba e eu nem ligo
O fim da linha que desejo
E quase nunca tenho.
Quando volta, festejo por tê-la
Aos braços
Perigos e paixões.
Eu a amo, protejo a qualquer preço
Ao custo do gosto da carne amada
Viver não é preciso quando
Se navega em
Calmaria e estadia
É feliz
Ao cais da amada que
Espera a poesia
Viajante, úmida, conturbada
Apenas no secar das folhas em
Branco, onde se guarda a morte da
Idéia e nasce a
Poesia.

A poesia e viva pra sujar o
Vazio.
É a casa de minha amada.
Amo-te até o fim de
Mim.

domingo, 4 de julho de 2010

segura-chuva

podemos nos ver, sim
assim posso calar-te
e abrirte um furo
e tropeçar-te
e rasgar-te
e cortar-te em pedaços.
maldito final
amanhã
aí, deixa pra nunca mais
nunca ver-te
assim
claro,
mulher..
teu ventre não vive mais
onde vive
tua alma?
quero quebrar-te
sangrar-te
como sangra-me
agora.
não precisa voltar...

"ele é o veneno que eu escolhi para morrer sem sentir..."

como me fascina
esse calor que vem de tuas
extremidades
brancas
finas
teus riscos, tuas escrituras
tuas caixas
sugar-te
e ver do que sai
o teu corpo
a nuvem branca
que foge de ti
e te repousar
no vão
te segurar entre os dedos
ah
és meu vício
vadio
enlouquecedor
o fogo corrói
ao beijar-te
não aguento-me um dia
nem um
preciso abandonar-te
minha fala não é a mesma
meus pulmoes não agem
quando sinto-te
preciso matar-te
meu grande amor
meu amado
CIGARRO

Cozer

voltar à cozinha
cozinha
no fogo
a cor
a fruta
verde
verdura
duramente a
coisa feita
voltas à cozinha
sentar na
mesa
mesmo
minto
molhada
de azeite
óleo dos olhos
gelado
fritando
na panela
comprida
horizontal

romance mal cozido.
cru.

Saidagem

Caminho frio?
É triste ver
Que não posso vê-lo
E falar-lhe
O versos
Aos olhos
Ficar no sofá
As paredes
As cordas
Apreciando as cortinas
imóveis
Mas estavas tão belo
Claro, macio
Sinto falta do afeto
Que me afetou
De fato
Geosimetria
das almas
Longíquas
Mas aqui tão juntamente
Volte logo
poeta das cordas
Tenho poesias à dividir.