terça-feira, 6 de julho de 2010

Desabrigo

Eles moram na casa
Que anda comigo
Aos morros
E casas
E prédios
E barracos.
Às vezes tão perto
Do lar
Mas sem pernas para buscá-las.
As casas que
Permaneço vazias.
Não os deixo entrar.
Não quero fechá-las
Que pena que sinto
Dos meus botões
Desabrigados
Todavida.

Um comentário:

Regina Moranga disse...

Isso sim é dizer sem usar palavras: Por que o eu lírico não abrigaria seus botões em suas casas? Talvez o desejo incontido pudesse responder. O poema traz uma imagem sensual e viva do corpo à mostra. O botão tem vida, mas quem manda é o eu lírico que não lhe dá uma casa, não porque não quisesse, mas porque não consegue, já que o corpo precisa escapar da roupa, precisa encontrar a casa do corpo: o corpo do outro.