sexta-feira, 9 de julho de 2010

salgado

contanto que me traga
de volta
aquele abril
maio
quantas raposas famintas
deixou?
"todos nós erdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo..."
azulejos azuis
colocou em minha sala
vasta
vazia...
foi embora com dias
calorosos
serenos e cheios de
brutas mãos
vá-te embora antão
saia antes que minhas mãos
queimem tua alma
sadia, santa.
cala minha boca com
flores, entao.
já que tua boca nao vive mais aqui
pra calar-me.

2 comentários:

Regina Moranga disse...

"cala minha boca com
flores, entao.
já que tua boca nao vive mais aqui
pra calar-me."
Um jogo com palavras e sentidos. Há uma busca pela maneira perfeita de dizer aquilo que que sente dentro e demonstra por fora. O beijo que é sugerido é suave como a flor, assim as palavras sugerem cores, texturas, gostos e desejos revelados.
A Bruna é poeta de mão e mente cheias. Dá gosto de ler, emociona no funda da alma.

gutipoetry disse...

...azulejos azuis
colocou em minha sala
vasta
vazia...
foi embora com dias
calorosos
serenos e cheios de
brutas mãos...
tudo que pode ser esmaltado e distribuido coerentemente...o doce e o salgado, o amargo, o acido junto com o adstringente...
Belo enfoque do que os atos humanos
sao passionais. a curta distancia o curto circuito entre um carinho e
um gesto violento. O deslize no interruptor!