domingo, 21 de novembro de 2010

bem verde

vejo de perto
ter cor de
chuva
de vento

quem não vê
não tem olho de dentro
não vê no teu corpo
o circo
que acende

longe do meu corpo
a cor do teu cheiro verde

sei lá quando será
que meu bem vem
sei lá quando será
que meu bem vem

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Meus Pés, de Ítalo Lencker


Enquanto ando preso em liberdade
Pela cidade
Lembro-me do cair da tarde
Em chão vermelho
E me curvo admirando meus pés
Vestidos, apertados...


Desejo ir-me embora
Mas a mesma coragem de outrora
Arde em silêncio dizendo-me:
Fica!
Ou será esperança travestida?
De esperança...


Talvez meus pés desnudos
Me desagradem
Talvez por isso ouso vendá-los
Talvez por não querer encará-los
Talvez por tê-los vendido
Ao infinito e torpe desejo.




05/11/2010
Indo para Botucatu






"De dentro de mim fez um sorriso profundo. Um sorriso de orgulho imenso, materno. Sorri por tê-lo visto dizer tanto, sorrir pelo que fez, assim, tão belo. Sorri de orgulho por ter lhe dado a janela pra ver este poema. 
Confesso que chorei ao ler. Ler meu mestre... vi o mestre que quase fui. Plantei semente mas não esperei nascer.
E vi a árvore, assim, crescida, florida. Jamais pensei no profundo olhar que meu mestre tinha. Vi que pode palavrear assim como eu. Colhi de mim os frutos que deram, quando o li. 
Feliz, feliz fiquei. Assim creio que nasça mais outros milhões de poemas que tocam profundo em minh'alma e, com toda a certeza, tocará a todos que o lerem, ó grande mestre Ítalo Alenquer de Oliveira. 
Obrigada por crescer em mim, por mim, de mim. Cresça, cresça árvore silábica!"


Bruna Moraes

terça-feira, 2 de novembro de 2010

coisa nº 8 (navegação)

daz vezes que calei meu corpo
por corpos que envelheceram
e deixaram-me um cheiro novo
de construção, de palácios
meu peito chorou, de pranto eu calei-me.
calei minh'alma pra não cortar-me
e corta-los com a pequenice da cronológica idade que persegue meus atos.
eu calei meu corpo que deseja
os homens macios
os homens marítimos
os homens que viveram mais que meu jovem corpo.
e nem um terço do século eu tenho.
minhas mãos não tocaram tudo o que desejo tocar.
minh'alma pede que a carne mantenha seu ato;
desejo-me dentro dos homens
e eles a dentro.
desejo as mulheres
assim, não tanto
mas as desejo em forma de quadros e colares e panos.
desejo corpos macios, marítimos...
desejo corpos quentes.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

tsunami

há tempos que meus pulsos não
balançavam assim.
que meus póros
não se agitavam.
depois que meu amor me deixou a ver navios,
que foi cortejar outra moça,
minh'alma chorou tanto
que inundava a poesia.
a melancolia fincou os pés na areia.
se pudesse, faria uma história infinita de folhas.
passaria todos os meus dias descrevendo tudo o que já senti.
e há tanto dentro de um gesto,
um segundo
momento.
o afeto por minha presença
cresce, cresce, cresce, cresce, cresce, CRESCE!

talvez minh'alma deixe
de chorá-lo.
e parece-me que logo.
eu tenho grandes palavras pra contar-lhes, queridos e amados olhos. vocês que lêem-me, são olhos que pretendo agradecer até o fim de mim.
o mar que me reside agradece.

acordaram a poesia.

parece que minha poesia
dormiu
eu a vi
adormecida, depois de puxar
mastros, amarrar as cordas
das velas.
também cansou de esperar
no porto.
se ofendeu por ser moça do cais
de ver as luzes e não
vê-lo lá
o tão majestoso
amor.
o homem que carrega o nome
marítimo; amor.
minha poesia dormiu
e sinto que desperta,
vai contar-me o que sonhou.
eu vejo o mar, e ela se ascende;
procura valsa nos rios
tango nos riachos
boleros nas cachoeiras
mas de encontrar o mar
é tanta força, tanta...
tanto mar, que dança
no silêncio alto
da maré.