sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Meus Pés, de Ítalo Lencker


Enquanto ando preso em liberdade
Pela cidade
Lembro-me do cair da tarde
Em chão vermelho
E me curvo admirando meus pés
Vestidos, apertados...


Desejo ir-me embora
Mas a mesma coragem de outrora
Arde em silêncio dizendo-me:
Fica!
Ou será esperança travestida?
De esperança...


Talvez meus pés desnudos
Me desagradem
Talvez por isso ouso vendá-los
Talvez por não querer encará-los
Talvez por tê-los vendido
Ao infinito e torpe desejo.




05/11/2010
Indo para Botucatu






"De dentro de mim fez um sorriso profundo. Um sorriso de orgulho imenso, materno. Sorri por tê-lo visto dizer tanto, sorrir pelo que fez, assim, tão belo. Sorri de orgulho por ter lhe dado a janela pra ver este poema. 
Confesso que chorei ao ler. Ler meu mestre... vi o mestre que quase fui. Plantei semente mas não esperei nascer.
E vi a árvore, assim, crescida, florida. Jamais pensei no profundo olhar que meu mestre tinha. Vi que pode palavrear assim como eu. Colhi de mim os frutos que deram, quando o li. 
Feliz, feliz fiquei. Assim creio que nasça mais outros milhões de poemas que tocam profundo em minh'alma e, com toda a certeza, tocará a todos que o lerem, ó grande mestre Ítalo Alenquer de Oliveira. 
Obrigada por crescer em mim, por mim, de mim. Cresça, cresça árvore silábica!"


Bruna Moraes

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