quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

quem é poeta?
a solidão instiga
a paixão vomita
e meus braços ganham forma de 
quem quer que seja.
 o que eu disser
terá a forma do som, a forma do trajeto
a forma das coisas que existem por toda parte
eu desejo tocar seu intelecto, mover os seus olhos
e provar o gosto que tem seus atos
silábicos.
minha poesia anda muda. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

abra a porta!

você parece um homem, assim, quando toca.
um gigante, que passeia pelas árvores
com grandes olhos
grandes braços que
alcançam e tocam.

eu queria tê-lo perto
todo o tempo
e poder beijar teus olhos fundos


dezembro
é assim que sinto você... dezembro.
eu queria poder tocá-lo, nem que seja uma vez.
abrir os livros e as janelas da sua alma, para correr o vento
sarar suas feridas e cobri-lo de afeto.

eu desejo profundamente suas mãos, e você sabe.

eu prometo te contar.
em breve.


eu te amo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

o gigante

os olhos do mar me olham
atentos aos olhos que me habitam;
e me corrói a alma, pensar na ausência.
um amor não é, quase sempre,
o que parece...
e quando reaparece, insiste, revive,
o amor precisa.
o amor revida aos vendavais e trovões
como um gigante
como montanhas
como um olho na nuvem, admirando,
parado.
o amor não resiste à razão
no amor não existe razão alguma pra ser amor

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Não-poesia

Eu parei de escrever porque menti.
Menti a mim e à poesia... e pode até ser que seja verdade. E agora mesmo passo a mentir sobre o assunto. Minha alma passou este tempo todo observando e me espantou não ter falado por tanto tempo, apenas relembrando as mágoas e águas passadas.
Quando seria, então, o dia novo? Duas grandes mentiras feitas por mim mesma me deixaram com os olhos ofuscados, com a poesia triste. E hoje nasce poesia por não ter poesia. E os dias andaram felizes, as rotinas andaram efetivamente iguais e mais reais que nunca. Os olhos da mãe estão claros e ciumentos. Os olhos da outra mãe parecem pedir-me pra ficar, nem que seja provisoriamente.
Passei a relembrar os homens e suas feridas, ouvir o som que me deixaram, mentir sobre a poesia, dizendo que é poesia de fato. E a poesia se rotulou porque deixei. Ela não abandona assim, só. E agora nem me dá vontade de mostrar o que escrevo aqui, por ser algo tão não-poético.
Mas só me resta dizer e deixar que vejam como não sei mais sobre a poesia e como ela está vaga. A deixo pra depois, quando ressuscita-la, mostrá-la bonita, mais aceitável... por mim e por você.

domingo, 13 de novembro de 2011

Bruna

Por Anderson Lopes

"Quanta dor há naquela menina
Tão nova ainda
E a tristeza já fez morada
A vida pesa
Naquelas mãos delicadas

Amores já viveu
Com a experiência de mulher já feita
Amores já perdeu
Já derramou prantos de viúva aflita
A pele muito jovem
Reveste a alma envelhecida

E quanta alma há naquela menina
Transborda em seu corpo
Como o mar que a praia invade
E arranca o cais em noite de tempestade
Com a mesma força que tem a saudade
Em seu peito ainda em formação."


Uma honra recebê-lo

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Nostálgico Poema de Outubro

Eu tive em mãos
a nostalgia.
Confesso que boa não foi.
Mas foi real!
Meu amor...
Minh'alma anda contente
meio calada de poesia
Mas vive real.
O real amor inspira
Mesmo que sozinho.
O carinho que faz
dentro de mim
Excita e acende
O que morava antes, desde
sempre.
Nas minhas salas
Há uma cama que nos descansa
e aquece.
Um espelho que perdoa
e demonstra.
É tudo claro.
Tudo real.
Ando tão feliz.
Me tornei mulher de marinheiro.
O amor no aquário,
o maior dos aquários.
Quiçá, dentro de ti
possam morar meus peixes.
Eu amo meu homem
como amor
MARÍTIMO.
LEGÍTIMO...
dessa vez
com veracidade recíproca.

sábado, 27 de agosto de 2011

Alguém

ai, você.
quando há saudade anônima
e a ausência de algo que não sei, como esquecer um livro necessário,
 passo a acreditar que é você
que ainda falta revelar em mim
as fotografias 
revelar
as luzes que se agitam na casa de minh'alma, dentro dos cômodos 
os tremores, os temores, 
a ânsia nas vésperas das respostas
ai, quantos versos minh'alma recita sobre ti.
e quantas flores pensei em entregar-te, como este poema singelo. 
e ainda sinto teu cheiro
o cheiro natural, do corpo


eu prevejo os futuros amantes. 
e a ilusão talvez venha; e junto
a desilusão.
e você? o que dirá?
eu te encontro nos sonhos. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Quem Dirá?

Meu corpo recebe as almas,
como num cortejo
desejo e
um arpejo sereno se executam
numa vibração profunda.
Sentir saudade não é exatamente possuir.
Eu a sinto por não possuir.
Minh'alma hoje vive aberta,
E como um congá,
mantenho as velas acesas,
proferindo orações de amor
e desejo,
orações pedindo a fala,
a voz aos homens.
E meu amado vive longe...
mas eu sinto.
Sinto tanto, tanto...
é um profundo sentimento de existir e possuir amor;
à tudo o que vejo.
Eu preciso de ouvintes. Preciso.
E também preciso exterminar a ausência,
a longiqua presença que me
consome sutilmente, como o mar nas pedras.
Volta!
Quero sentí-lo como sinto o mundo.

domingo, 14 de agosto de 2011

A

Eu o desejo
com seus olhos, que os passava
rapidamente,
de quando em vezes...
Ah! Como balança minha alma!
És maré dentro da casa da alma.
O necessário afago em mim.
Careço desses olhos,
destas mãos que há tempos desejo...
sem falar do som que fazem.
Desejo teu timbre, teu ser, com fome,
cravados em minha pele,
teu cheiro tatuado em meus pulmões.
Desejo tuas cores
           teus pelos
            teus olhos
            teus dedos
Te sinto cada vez mais
próximo do sentimento.
A tua duração
em mim eu imploro!
Seja aqui, ao lado.
Sejamos.

Seria...

Quando essa maré passar
E eu puder cessar meu pranto
Ai sim, minh'alma será feliz.
Mesmo com o ofício das equações, mesmo com a dor de minha mãe
com as dores cotidianas de meu pai
a alma perdida das criancinhas
com a matéria da alma dos homens em decomposição
mesmo com o soluço profundo que ouço quando não canto
o penar que sinto pelo desejo impróprio, à cronológica idade;
Se o tivesse ao lado, minh'alma seria feliz,
E essas partes todas se amenizariam, e as soluções brotariam
no campo de minha alma...
O teu ser eu desejo, tua alma por inteiro,
sermos um só.
Se fosse um instante eu não sei.
Não sei quantos são necessários.
Mas eu sei que o quero
Eu sei.
Eu o procuro e o guardo.
Aguardo.

o sentimento marítimo

Eu jamais saberia explicar
O que acontece dentro do chão de minh'alma
Que segura tanto amor.
O seres e as coisas, as cores...
tudo me causa amor profundo.
E meu corpo responde com sensações inexplicáveis.
E quase sempre me entristece pela impossibilidade
e pela distância
pelo desejo profundo
platônico
por quase tudo...
Qual seria a razão? A inspiração não me desgruda
e em meu peito jorra poesia
como na vazante.
E ai, o que será de mim, depois que passar a correnteza
e o som não estiver concretizado?
A poesia incerta... a beleza?
eu já nem sei mais o que é belo, pra poder dizer se há beleza em minhas escrituras.
E o seres?
ah, meu Deus, o que será?
Há tanta força, nos cheiros, nos atos, nas cores...
Já não sei se é belo... mas o sinto assim.
Eu quero expor meu amor.
Usando palavras infinitas.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Um Teu Som

Desejo teu som
como desejo um corpo forte
Desejo
como desejo alguém
quando a saudade aperta
Desejo
como um segredo
um copo d'água
O teu som,
Desejo quando ouço
de perto.
As mãos santas.

O desejo de todos,
eu boto fé
seria possuí-las
ou sê-las
ou tê-las ao
lado,
junto ao violão.

Elas são
graves invenções
de Deus
A clara existência da perfeição.

Ah! Como são!





terça-feira, 26 de julho de 2011

Renda-se

Eu já não sei mais 
se é.
o amor eu não sei se já vi.
Minha alma fala baixo 
demais, 
às vezes.
Preciso provocar-me
para ver se há, de fato,
vontade de sobra
pra continuar
a caminhada, 
Eu quero viver o amor 
sem problemas.
A tua loucura é grande; quase
sempre ultrapassa meu
entendimento.
Já não sei o que prefiro.
E por não saber, 
padeço.
Meu amor é belo
Sua força, desconhecida
por si,
Reluta-se a sair
e olhar as cores.
Eu sofro por isso.
Só desejo a paz
PROFUNDA.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

veja bem, meu bem...?

Ai, o amor...
E as suas longas tranças...
Os espinhos e as pétalas.
Se há uma porta, existe a rua.
A dor do peito que varre as sobras do antigo amor
e a recuperação total!
O calor do novo amor e as feridas fechadas, como um ímã.
As dores sutis, os olhos rasos d'água.
AH! Quantos problemas causam o amor.
Mas quantos filhos bons... quantos canteiros, quantos frutos e casas.
A calmaria oceânica do meu ser
e a ressaca, no fim do dia.
A ventania, os terremotos, tsunamis
e a

RE-CONS-TRU-ÇÃO

a mudança, os quadros e pisos novos.
o olhar ainda raso, cheio d´'agua.
porque tanta água?
vamos ao porto
ao corpo
vamos nos entorpecer de nós e
silenciar...
o que acha, meu grande amor?
vamos ser?

terça-feira, 10 de maio de 2011

OUÇA-ME!

Pra que tão impossível?
Por que tão impossível?
A impossibilidade mata.
A destruição não constrói.
O pavor não ilumina.
A dança da solidão não adianta...
Fugir não conserta.
O choro alivia sim!
Ensurdecer?
A loucura é necessária mas o descontrole só piora a alma.
A desordem toma conta de nós, assim...
A paz se encontra dentro de si, disso você sabe. O silêncio e a solidão também.
A culpa não prevalece.
Faça o que tu queres pois é tudo da lei!
A corrida tem muitas voltas, os homens tem muito o que construir, as folhas hão de cair.
A poesia há de reinar, tua serenidade é tua, de qualquer jeito. Faça-a aparecer...
Eu já não sei se há volta.
Mas eu sei que há ida.
Eu te amo.

domingo, 8 de maio de 2011

revolution 9

A tristeza parece senhora...
Parece-me que ainda há algo em mim que acaricia meu peito com garras. Não consigo ter paz, meus dias pesados, minh'alma pesada. Talvez seja remorso, talvez não tenha me perdoado por ter sido tão cega e tola comigo mesma. É como se tivesse saltado de um abismo para outro, por necessidade; apagando o que havia com outra coisa... como uma fita cassete. Tenho medo de estar grávida... mas o meu delírio é tão idiota que nem consigo acreditar nele. Os lugares parecem cada vez mais sem graça; o cinza me parece cada vez mais presente. A cidade me assusta e me atrai, me consome, me apaixona. A loucura está em todos os lugares ao mesmo tempo.
O tempo não é o mesmo para mim. Quase que não acredito nele. Hoje tenho a convicção de dizer que não gosto dele. O tempo parece não gostar de mim... me castigar. Não deixa de ser um dos deuses mais lindos.


Acho que preciso de uma terapia.
Um psicólogo louco.
Ou um psiquiatra insano.

Quero meu namorado sem problemas, minha mãe sem dores, meu pai sem sanidade (ou talvez ela em si), quero meu lugar... quero ver o mar.
Eu quero fazer meu som! Quero a poesia de volta correndo nas veias da minha alma.
Quero parar de sofrer e ter de volta a esperança infinita!

eu quero paz!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mr

Maria, eu prefiro.
Há de ser                                                                             minha
a calmaria que me deixa quando fala de seus amplos
dedos.
Quando fala de telas e
                                cores brandas.
Não é minha, pois quando  vais embora,
me invade um silêncio.
E o silêncio apavora-me... em pensar nos outros sete dias
                                                                                     sem cores
              Não sei bem
           mas há em mim  um sentimento marítimo sobre suas mãos e seu ser por inteiro.
Depois da calmaria vem
bandeirolas e foguetes,
                     fogueiras, um campo vasto.
Excita meu intelecto. Quando penso em Maria
penso em tuas salas
e em ficá-las
para ouvir o que tens a dizer.
É como uma dadivosa mulher...  me protege das almas vazias,
me anima, admirar tua arte e
encontrá-la com a minha.
Confesso que não é fácil, a tarefa de expressar
                                                    o que sinto por ti, óh Maria.
Acabo pensando em  Joana Francesa...
                                   "...já é madrugada, acorda, acorda, acorda!"
Queria morar em suas salas
da alma.
Trazer de dentro de ti
               para o mundo o som de teus quadros.
                                                Minh'alma vibra
                                              de vontade de ouvi-la.
És um mestre, cheio de flores...
Suas mãos merecem discípulos e pirâmides.
Teu semblante é de
                             uma real pintura
feita por
             ti.

Obrigada por ensinar-me.
Abrir seu intelécto e dividi-lo.
Obrigada por ser
                          MARIA.



à grande professora de Artes Plásticas Marie
VIII.II.MMXI

sexta-feira, 1 de abril de 2011

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A Próxima

Muito obrigado
Pelo que foi
Pelo que não foi
O mar fez questão de levar
Marcos que seu rosto dilui
Feito um navio
Que enferruja em tempos demais
No mar

Muito obrigado
Pelo que fiz
Pelo que não quis
As ondas levaram o som
A maré baixou e eu corri
Feito um navio
Que carrega ao mar
Marinheiro só

Nada me fará voltar
Pro que foi
Nada me fará chorar

Chega de cantar canções
A última canção pra você
Não quero mais falar de sofrer
A última canção de você

Sou livre de você
Olha só, que coisa mais bela:
Liberdade!
Não tenho mais você
Olha só quanto som eu sei fazer
Viu,
Muito obrigado!

música e letra: Bruna Moraes

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Violeiro

Minha alma
virou mato baixo
virou calmaria,
travessia tranqüila.
Amor que não dói.
Vem vê só, seu Francisco:
tua filha sorrindo feito lua minguante!
"...não tem tira, nem doutor nem ziquizira, quero ver quem é que tira nóis aqui desse lugar..."
Não tem nome, não tem preço, só apreço nesses olhos castanhos,
nas mãos cumpridas, compridas.
Um moço forte, com braços feito correnteza, ombros feito montanhas... vou morar no rancho de tua alma, casar na capela branca, fazer filhos silábicos.
Amor marítimo. Amo-te, cigano.
Fica-me.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ah, coitado.

Ai, me dá vontade de rir
mas rir tanto
tanto quanto ria
tua alma quando fui
deixei teu ser
perfeitamente sozinho...
Ai, quanta problemática, tanta
coisa, nem precisa se preocupar, meu bem.
Eu quero rir
assim, sinceramente,
coisa que há tanto tempo não fazia!
Você não mora mais em mim.
Eu ando tão feliz,
saltitando pelas ruelas,
nada mais é cinza...
Agora não é cinza. É só mar, é flor, é calor!
Olha que verão belo!
Me esqueço que não podes ver.
Ah,. coitado.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

liberdade (?)

é caminho desconhecido, que sempre me deu medo entrar. guardas, monstros, escuro demais.

tô no caminho de volta ainda.
mas também não sei se já cheguei, se ainda não quero ver-me.
não sei o que sinto por ti... ainda não perguntei-me;
vejo que não pode esperar-me, mas também não precisa.
faça o que precisar fazer; eu ainda não sei andar, com minhas pernas novas, não sei o que fazer, agora ,livre.
triste estou por não viver-te, por ser assim, tola;
eu quase não vejo, quase não me tenho... mas logo terei.
mas se precisas ir, vá.
ando cega, muda, surda...
se precisas deixar-me, então deixe.

estação

eu vi no futuro nosso
outros mares e campos
camponeses sorrindo
e contrários homens como você
a vida fora do vidro, do outro lado do muro negro
fora da cinzenta cidade que só via.
sorria
o copo meio cheio
a noite começa
está tudo aqui,
quem sabe
futuro
belo futuro...
cativa-me.
livrar-me-ei deste pobre sentimento
e serei vazia
pra entrares.
volte,
pois eu venho logo.

tira do bagageiro

às vezes vejo-me em ti.
a loucura e a sede
ceder o corpo e a alma de dentro pra outro
outrora tive minh'alma
auto-mar.
martírio era viver ao cais
esperando voltar
e voltar-me pra cativar-me o que havia fora.
queria a luz, pra ver teus olhos de novo... mas a volta
dele, daquele ser obscuro trouxe-me a cegueira
sonhei dentro outra vez,
não sei o que houve comigo.
talvez preciso de solidão,
talvez queira estar só...
eu e minha poesia.
talvez deva deixar-te mesmo.
mas queria tanto ver
ver a calma e a alma e o som
o sentimento puro
que jamais vi.
é.
vou deixar-te.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

jovial


a poesia fetal chuta o útero de minha alma.