quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Violeiro

Minha alma
virou mato baixo
virou calmaria,
travessia tranqüila.
Amor que não dói.
Vem vê só, seu Francisco:
tua filha sorrindo feito lua minguante!
"...não tem tira, nem doutor nem ziquizira, quero ver quem é que tira nóis aqui desse lugar..."
Não tem nome, não tem preço, só apreço nesses olhos castanhos,
nas mãos cumpridas, compridas.
Um moço forte, com braços feito correnteza, ombros feito montanhas... vou morar no rancho de tua alma, casar na capela branca, fazer filhos silábicos.
Amor marítimo. Amo-te, cigano.
Fica-me.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ah, coitado.

Ai, me dá vontade de rir
mas rir tanto
tanto quanto ria
tua alma quando fui
deixei teu ser
perfeitamente sozinho...
Ai, quanta problemática, tanta
coisa, nem precisa se preocupar, meu bem.
Eu quero rir
assim, sinceramente,
coisa que há tanto tempo não fazia!
Você não mora mais em mim.
Eu ando tão feliz,
saltitando pelas ruelas,
nada mais é cinza...
Agora não é cinza. É só mar, é flor, é calor!
Olha que verão belo!
Me esqueço que não podes ver.
Ah,. coitado.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

liberdade (?)

é caminho desconhecido, que sempre me deu medo entrar. guardas, monstros, escuro demais.

tô no caminho de volta ainda.
mas também não sei se já cheguei, se ainda não quero ver-me.
não sei o que sinto por ti... ainda não perguntei-me;
vejo que não pode esperar-me, mas também não precisa.
faça o que precisar fazer; eu ainda não sei andar, com minhas pernas novas, não sei o que fazer, agora ,livre.
triste estou por não viver-te, por ser assim, tola;
eu quase não vejo, quase não me tenho... mas logo terei.
mas se precisas ir, vá.
ando cega, muda, surda...
se precisas deixar-me, então deixe.

estação

eu vi no futuro nosso
outros mares e campos
camponeses sorrindo
e contrários homens como você
a vida fora do vidro, do outro lado do muro negro
fora da cinzenta cidade que só via.
sorria
o copo meio cheio
a noite começa
está tudo aqui,
quem sabe
futuro
belo futuro...
cativa-me.
livrar-me-ei deste pobre sentimento
e serei vazia
pra entrares.
volte,
pois eu venho logo.

tira do bagageiro

às vezes vejo-me em ti.
a loucura e a sede
ceder o corpo e a alma de dentro pra outro
outrora tive minh'alma
auto-mar.
martírio era viver ao cais
esperando voltar
e voltar-me pra cativar-me o que havia fora.
queria a luz, pra ver teus olhos de novo... mas a volta
dele, daquele ser obscuro trouxe-me a cegueira
sonhei dentro outra vez,
não sei o que houve comigo.
talvez preciso de solidão,
talvez queira estar só...
eu e minha poesia.
talvez deva deixar-te mesmo.
mas queria tanto ver
ver a calma e a alma e o som
o sentimento puro
que jamais vi.
é.
vou deixar-te.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

jovial


a poesia fetal chuta o útero de minha alma.