sábado, 27 de agosto de 2011

Alguém

ai, você.
quando há saudade anônima
e a ausência de algo que não sei, como esquecer um livro necessário,
 passo a acreditar que é você
que ainda falta revelar em mim
as fotografias 
revelar
as luzes que se agitam na casa de minh'alma, dentro dos cômodos 
os tremores, os temores, 
a ânsia nas vésperas das respostas
ai, quantos versos minh'alma recita sobre ti.
e quantas flores pensei em entregar-te, como este poema singelo. 
e ainda sinto teu cheiro
o cheiro natural, do corpo


eu prevejo os futuros amantes. 
e a ilusão talvez venha; e junto
a desilusão.
e você? o que dirá?
eu te encontro nos sonhos. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Quem Dirá?

Meu corpo recebe as almas,
como num cortejo
desejo e
um arpejo sereno se executam
numa vibração profunda.
Sentir saudade não é exatamente possuir.
Eu a sinto por não possuir.
Minh'alma hoje vive aberta,
E como um congá,
mantenho as velas acesas,
proferindo orações de amor
e desejo,
orações pedindo a fala,
a voz aos homens.
E meu amado vive longe...
mas eu sinto.
Sinto tanto, tanto...
é um profundo sentimento de existir e possuir amor;
à tudo o que vejo.
Eu preciso de ouvintes. Preciso.
E também preciso exterminar a ausência,
a longiqua presença que me
consome sutilmente, como o mar nas pedras.
Volta!
Quero sentí-lo como sinto o mundo.

domingo, 14 de agosto de 2011

A

Eu o desejo
com seus olhos, que os passava
rapidamente,
de quando em vezes...
Ah! Como balança minha alma!
És maré dentro da casa da alma.
O necessário afago em mim.
Careço desses olhos,
destas mãos que há tempos desejo...
sem falar do som que fazem.
Desejo teu timbre, teu ser, com fome,
cravados em minha pele,
teu cheiro tatuado em meus pulmões.
Desejo tuas cores
           teus pelos
            teus olhos
            teus dedos
Te sinto cada vez mais
próximo do sentimento.
A tua duração
em mim eu imploro!
Seja aqui, ao lado.
Sejamos.

Seria...

Quando essa maré passar
E eu puder cessar meu pranto
Ai sim, minh'alma será feliz.
Mesmo com o ofício das equações, mesmo com a dor de minha mãe
com as dores cotidianas de meu pai
a alma perdida das criancinhas
com a matéria da alma dos homens em decomposição
mesmo com o soluço profundo que ouço quando não canto
o penar que sinto pelo desejo impróprio, à cronológica idade;
Se o tivesse ao lado, minh'alma seria feliz,
E essas partes todas se amenizariam, e as soluções brotariam
no campo de minha alma...
O teu ser eu desejo, tua alma por inteiro,
sermos um só.
Se fosse um instante eu não sei.
Não sei quantos são necessários.
Mas eu sei que o quero
Eu sei.
Eu o procuro e o guardo.
Aguardo.

o sentimento marítimo

Eu jamais saberia explicar
O que acontece dentro do chão de minh'alma
Que segura tanto amor.
O seres e as coisas, as cores...
tudo me causa amor profundo.
E meu corpo responde com sensações inexplicáveis.
E quase sempre me entristece pela impossibilidade
e pela distância
pelo desejo profundo
platônico
por quase tudo...
Qual seria a razão? A inspiração não me desgruda
e em meu peito jorra poesia
como na vazante.
E ai, o que será de mim, depois que passar a correnteza
e o som não estiver concretizado?
A poesia incerta... a beleza?
eu já nem sei mais o que é belo, pra poder dizer se há beleza em minhas escrituras.
E o seres?
ah, meu Deus, o que será?
Há tanta força, nos cheiros, nos atos, nas cores...
Já não sei se é belo... mas o sinto assim.
Eu quero expor meu amor.
Usando palavras infinitas.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Um Teu Som

Desejo teu som
como desejo um corpo forte
Desejo
como desejo alguém
quando a saudade aperta
Desejo
como um segredo
um copo d'água
O teu som,
Desejo quando ouço
de perto.
As mãos santas.

O desejo de todos,
eu boto fé
seria possuí-las
ou sê-las
ou tê-las ao
lado,
junto ao violão.

Elas são
graves invenções
de Deus
A clara existência da perfeição.

Ah! Como são!