quarta-feira, 30 de novembro de 2011

abra a porta!

você parece um homem, assim, quando toca.
um gigante, que passeia pelas árvores
com grandes olhos
grandes braços que
alcançam e tocam.

eu queria tê-lo perto
todo o tempo
e poder beijar teus olhos fundos


dezembro
é assim que sinto você... dezembro.
eu queria poder tocá-lo, nem que seja uma vez.
abrir os livros e as janelas da sua alma, para correr o vento
sarar suas feridas e cobri-lo de afeto.

eu desejo profundamente suas mãos, e você sabe.

eu prometo te contar.
em breve.


eu te amo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

o gigante

os olhos do mar me olham
atentos aos olhos que me habitam;
e me corrói a alma, pensar na ausência.
um amor não é, quase sempre,
o que parece...
e quando reaparece, insiste, revive,
o amor precisa.
o amor revida aos vendavais e trovões
como um gigante
como montanhas
como um olho na nuvem, admirando,
parado.
o amor não resiste à razão
no amor não existe razão alguma pra ser amor

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Não-poesia

Eu parei de escrever porque menti.
Menti a mim e à poesia... e pode até ser que seja verdade. E agora mesmo passo a mentir sobre o assunto. Minha alma passou este tempo todo observando e me espantou não ter falado por tanto tempo, apenas relembrando as mágoas e águas passadas.
Quando seria, então, o dia novo? Duas grandes mentiras feitas por mim mesma me deixaram com os olhos ofuscados, com a poesia triste. E hoje nasce poesia por não ter poesia. E os dias andaram felizes, as rotinas andaram efetivamente iguais e mais reais que nunca. Os olhos da mãe estão claros e ciumentos. Os olhos da outra mãe parecem pedir-me pra ficar, nem que seja provisoriamente.
Passei a relembrar os homens e suas feridas, ouvir o som que me deixaram, mentir sobre a poesia, dizendo que é poesia de fato. E a poesia se rotulou porque deixei. Ela não abandona assim, só. E agora nem me dá vontade de mostrar o que escrevo aqui, por ser algo tão não-poético.
Mas só me resta dizer e deixar que vejam como não sei mais sobre a poesia e como ela está vaga. A deixo pra depois, quando ressuscita-la, mostrá-la bonita, mais aceitável... por mim e por você.

domingo, 13 de novembro de 2011

Bruna

Por Anderson Lopes

"Quanta dor há naquela menina
Tão nova ainda
E a tristeza já fez morada
A vida pesa
Naquelas mãos delicadas

Amores já viveu
Com a experiência de mulher já feita
Amores já perdeu
Já derramou prantos de viúva aflita
A pele muito jovem
Reveste a alma envelhecida

E quanta alma há naquela menina
Transborda em seu corpo
Como o mar que a praia invade
E arranca o cais em noite de tempestade
Com a mesma força que tem a saudade
Em seu peito ainda em formação."


Uma honra recebê-lo