terça-feira, 15 de novembro de 2011

Não-poesia

Eu parei de escrever porque menti.
Menti a mim e à poesia... e pode até ser que seja verdade. E agora mesmo passo a mentir sobre o assunto. Minha alma passou este tempo todo observando e me espantou não ter falado por tanto tempo, apenas relembrando as mágoas e águas passadas.
Quando seria, então, o dia novo? Duas grandes mentiras feitas por mim mesma me deixaram com os olhos ofuscados, com a poesia triste. E hoje nasce poesia por não ter poesia. E os dias andaram felizes, as rotinas andaram efetivamente iguais e mais reais que nunca. Os olhos da mãe estão claros e ciumentos. Os olhos da outra mãe parecem pedir-me pra ficar, nem que seja provisoriamente.
Passei a relembrar os homens e suas feridas, ouvir o som que me deixaram, mentir sobre a poesia, dizendo que é poesia de fato. E a poesia se rotulou porque deixei. Ela não abandona assim, só. E agora nem me dá vontade de mostrar o que escrevo aqui, por ser algo tão não-poético.
Mas só me resta dizer e deixar que vejam como não sei mais sobre a poesia e como ela está vaga. A deixo pra depois, quando ressuscita-la, mostrá-la bonita, mais aceitável... por mim e por você.

Um comentário:

Anderson Lopes disse...

Sua "não-poesia" é inspiração para poesias honestas...
Amo suas palavras, Bruna.