domingo, 30 de setembro de 2012

Fome II

Eu sinto no corpo
Todo dia
A vontade profunda de
Saciar a sede.
Meu corpo procura a calma
Póstuma do prazer.
O corpo é o espelho da alma.
Ela clama, em chamas
A cama e o homem
Pouca luz
E os sons, que traduzem a fome..
Sei que ele vaga, em algum lugar da cidade
Sei também que ele possui
A arte de excitar a alma.

Encontrarei
e o amor virá.

Minh'alma precisa sentir-se
ACALANTADA.

Real

A vida anda no acaso,
sem culpa.
É mera força que empurra os pés
e os olhos, à frente .
Parece que só eu a sinto

DENSA E ÁCIDA

Quintal

Gosto de visitá-lo 
corriqueiramente
como um parente do interior, 
para que sempre exista
um jeito meio tímido 
e jovial.
É como descobri-lo
todas as vezes em que volto.
Sempre volto devagar;
exploro um canto de cada vez,
para ser mais demorado; 
guardar pra depois.
É como uma viagem...
Lá tem a casa de meu pai
Onde ele ouve a vitrola.
Os sambas de roda
as serestas e as
modas de viola.
Faço visitas à ele, também
Levo café e afago, 
como se morasse longe.

No pé de pintanga, 
quando floresce, 
o sabiá canta até
me acordar.
E eu fujo
até de noite, quase nunca.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Frd Smmr


teu semblante acordou-me
feito um beijo nos olhos.
me acompanhou até a rua
soprou meus ouvidos
e me acenou, depois de cruzar a esquina.

te procuro, caminhando entre os prédios.

revejo as cenas claras do reencontro,
pra sentir o cheiro e o gosto. 

penso na vista que seus olhos alcançam:

as pernas, as ondas, as nuvens...
calculo a distância e me aperto em mim

penso em nós feito Valsa Brasileira...

"... eu descartava os dias em que não te vi,
como de um filme, a ação que não valeu..."

te espero inteiro

com a boca e o corpo rubro.
te espero quente,
pra devorar
e calar

sonhei 

você e eu
num barco, pra morar no mar.
pra morar em nós.  








"setembro"