quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Rosa Dele

assombrei! os olhos, os traços
de grafite e café, ali
perto, cada vez mais.
"meu delírio de um desejo" pensei.
um diálogo incômodo, nebuloso
e dele, um toque sutil
profundo, em minha pele
e no corpo do meu desejo.

e na distância,
o olho-náufrago em mim
entre as pausas discretas.

causou-me um incêndio,
na fagulha da presença, apenas
um desespero,
na sede de encostar, sentir o moreno corpo

guardei o gosto
a vontade

mas é de longe,
quase nunca mais.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

verdade carioca

é primavera nas curvas
frágeis da nuvem sobre o Brasil.
mas é outono em minh'alma;
deixa cair as paixões
violentas,
sem fundo
sem beira
só meio, sem fim...
abismo
não dá pra entrar, só cair.

me desfaço das jóias:
a vaidade é inimiga
da liberdade
ficar só
no cais
com os olhos rasos d'água
é só mais um curta metragem da
vida real.

romance é coisa de gente fria
sensível de si mesma.
o mar só ficou pra mim.
essa noite eu vi o abandono
e o afago singelo e real
em braços maiores.

o amor é medíocre e conjunto, inteiro.
a paixão é unilateral,
de dois, mas é sozinha.