terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Véspera

Acordei do sono
Da primeira camada, em que a alma repousa
Com a voz do menino dourado.
Enfeitou meus olhos imaginários
E beijou meus ouvidos, cheio de amor, de saudade instantânea.
Quanto tempo eu passei, passeando com a melancolia, agarrada aos meus pés.
Quantos dias passei, com seu nome rondando minha mente... meu amado me deu o perdão e eu abri as portas do presente, pra viver o grande amor...
Contido, infindável, devastou a impossibilidade.
O amo com os trages da fidelidade.
Tudo está repleto de paixão.
Profundamente entregue aos braços do gigante, que caminha confiante pela beirada do mar, à passo largo.
Que seja nosso, esse tempo de gloriosa vitória.
Somos dois e milhares.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Fidelidade

Preciso excitar a poesia.
Deixá-la rubra
aquecida pelos olhos,
transpirando o aroma lírico
na roupa de cama.

Quero lambuzar-me do seu líquido,
esfregar as pernas na pele
que arde.
Trazer os filhos,
com gens de amor.
Mas ela vai e volta,
desfaz os laços...
arremessa o corpo ao mar,
pois sabe o poder que tem.
Tão logo, estou eu, à navegar,
à sua procura.

Minha amada incondicional.
Serei-te fiel até o fim dos meus tempos.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Ah! Mendoza!

Ella y su luz.

Sus manos que abren
las ventanas del'alma,
con sus guitarras mágicas,
sus cantantes altivos.

Mi corazón está
repleto de flores
y versos.

És una canción infinita,
sin igual.

Amo-te, ahora y
siempre.

Mndz Ntr

Te vi num barco azul
balançando entre as ondas da alma.
Caminhando com os pés descalços,
todo-inteiro
cálido.

Havia um jardim em seus olhos.
Uma cor indescritível
sobre teu corpo.

Uma teia de éter me cobriu
com seus sons e gestos.

Sua forma, eu não sei;
me tocou com dedos de vidro
Num abraço monumental,
e nele, ramos e raízes.

Saudoso!
Gigante!

Recordarei os dias antes desses.
Aqueles que passamos
sobrevoando
as árvores.

Esses dias novos talharam na
madeira de minh'alma
as mais profundas imagens.

Você e seu ser inteiro
estão escritos em mim.

domingo, 27 de outubro de 2013

longínqua carícia

os seus póros-pontos
cravaram um desenho lógico
lírico em minh'alma.

teu cheiro na lembrança
me pegou pelo braço.
um gosto, na visão dos teus lábios

olha e revira-me a vontade
do teu corpo.

teu som na moldura
e teu ser, um quadro.
a rasura da mais pura
e profunda beleza.

ah! que desejo
que aquece a espinha
vibra as mãos e os olhos.

venha abrigar-se em mim...
te tenho todo amor de
todos os mares.

venha cedo, pra ficarmos tarde
morrer a noite
renascer notívagos

é amor boêmio
platonicamente poético

domingo, 13 de outubro de 2013

Branco

O mar está me soprando as palavras,
Quase que pra longe.
Na dor, eu tenho escamas.
Eu sinto falta mesmo é do
AMOR.
Nem da palavra, nem das luzes,
Dos seus escombros.
Me falta o tempo-amável.

Nesse tempo eu pensei no barco,
Nos teus sinais, nossos dias.
E resta-me, apenas, os dias brancos...

A memória castiga o homem.
O vento castiga o arrepio, sem perdão.
O mar está soprando outra vez,
E eu desejei que fosse pra longe,
Toda minha vida, intacta nesse poema.
A lucidez me devora
Teus olhos
Meu coração que sufoca

Eu me retiro.
Me atiro.

A esperança, eu enterrei no quintal
De minh'alma.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

fênix

tô olhando por baixo,
pra ver se cai a gota.
aquela que transborda sem piedade
limpa a boca.
depois da morte
a lápide do velho
e a certidão do novo.

venho implorar teu carinho,
poesia.
venha, vento,
soprar minhas velas.

a vida me deu um tiro
no pé
e eu me apunhalei pelas costas

socorra-me, poesia!
deixa ver meu reflexo
e estancar.

quanto mais eu olho
mais eu arranco um pedaço
seu
em mim, cheio de veias e sangue.
deixei pra morrer

pra viver.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Desconcerto

Quanto espinho, meu amor.
A amargura de viver sem paz, sem peito, sem cais
me arrasta ao mais fundo.
Você foi, na tormenta
no castigo da solidão infindável.
Me arrebatou.
Na cegueira, na ira, minha insanidade
de, em algum instante, desamar.

Meu amor, com seu perdão.
Só me deixa na espera do retorno.
Estou afogando-me
desesperando na distância
com o coração em chamas
os olhos em dilúvio.
Na mente, a catástrofe.

Me perdi.
Esse amor devora minh'alma.
Peço à Deus a misericórdia.

Que seja justo, esse amor.
Que seja breve, esse fim.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Honrado Anjo

Veja o homem!
É feito de aço e carvão
De pedras, de pinho.
No centro, algodão.
Brotam-lhe flores pelos olhos

Na força dos dentes
E na carne macia dos lábios
Ele profecia
o belo
o horror
a fúria
o pudor
a HONRA!

São tão simples, as palavras
Me toca, pra quase nunca,
mas me penetra, o aroma de sua alma.

Ele é feito de dor e justiça
De amor.

O Outro

Com a boca
Ele toca
A toca

Toca no som
No leito
Que jorra
O desejo

Com a boca
Ele toca
O lábio
A lábia
A carne
O secreto

Com a boca
Ele
AMA

Atiça

Quis escrever poema
assim:
no meio da noite,
como um rango às pressas,
pra voltar ao cobertor.

A inspiração me pinica
cutuca; 
corro ao caderno, prum alívio.

Aí, ela morde o lábio,
sorri e dorme em meu colo,
satisfeita.

Êita, poesia ninfeta!

A Fera

Nos meus olhos, ele quis entregar as antigas paixões
E tal ato compara-se à quase-morte,
ou a sorte de reviver.

A luz entrou pela janela,
e a fera, domada, me deu um beijo
de amor.
Todo entregue...
Ah! O amor!

Depois do delírio
ele se cala.
Fecha as janelas,
me cobre de espanto.

É do medo que ele tem medo.

Velho-Novo

Quase sem coragem,
senti aquilo tudo, outra vez.
Aquele homem claro, coberto de luto
pelo amor findado
E eu pensando na boca
no braço
na língua.
Ele, tão cheio de som,
de graça e poesia...
até que bastava.

Mas era tão belo, seu semblante.
Há tanto tempo eu o sonhei, todo perto.

Me fitou de outros olhos
sorriu, sorri.
A imagem de um deus, um insano, um astro
A fala me excitava; em casa pausa, um suspiro jovial.

Ele me viu
confessei, ele ouviu.
Me veio com um beijo até o fundo.
com olhos azuis e dedos floridos
com a boca feliz de pronunciar
os escritos da alma.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Frondosa

Vermelho. Eu vi no vermelho O formoso corpo, Envolto do meu desejo.
A pronuncia da alma, eu ouço.
Majestosa, 
a clareza o encanto
A paixão que brotou em meu peito, num pequeno e infinito instante, 
desesperou-me. É desconcertante, óh, amada, 
ver-te entregue, tão perto. Sentir teu coração com os ouvidos grudados ao colo. Pensar-te é tão grande... 
tenho-te toda; cada pedaço gravado em mim. Quase posso tocá-la! Sinto-te aqui, agora. E quando escrevo à ti, confesso, 
amedrontada, os retalhos de um tempo calado, 
acendendo em mim, o que é seu.

Quero-te perto! Quero-te MINHA.

domingo, 25 de agosto de 2013

Visão da Amada

A poesia é uma moça
De pele bronze,
Ombros largos, colo farto
e belíssimas clavículas.
Ela tem olhos penetrantes,
afim de devorar à todos os amantes.

Tem lábios providos de macia carne,
Dentes de vidro,
com a língua cheirando à jasmim.

A púbis é imensurável fonte
do mais delicado fluido.

Ela agita a estrutura da alma
Me abraça o peito
em chamas.
Aí, me afundo em sua inóspita casa,
seu corpo não-matéria,
sem volta prevista.

Retorno com sede de
retorno,
Com medo do
fim.

Notívaga

ah... como é infindável,
o tempo na espera e na
solidão.

rastejam as patas da infinita centopéia-lírica
das horas

giram as engrenagens das constelações dos relógios
sobrenaturais.

a natureza, Mãe,
acalanta os bichos

desperta o poeta
com o aroma indescritível

faz salivar a boca do Desejo

recolhe os devaneios do varal do sóbrio e
os despeja na madrugada

"de noite ardo", como já dizia o poeta de Oxalá

a inspiração é companheira do ermo.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Nasce No Inverno Da Vida

há tanto tempo que a poesia não me tocava a alma...
e, nessa noite, caminhei pelos corredores de tuas palavras, pra procurar-me em ti.
procurar-te entre as sílabas... ver tua claridade.
algo teu, veio acalentar-me, como um sopro nos ouvidos.
um beijo na nuca.
um arrepio no peito.
pensei em tê-lo.
sentir de perto sua grandeza. sua profundidade.
ouvir suas ondas.


olha-me, homem.
diga-me, com todas as tuas cores
mostra-me mais fundo, tuas formas
pois posso ver a silhueta de um ser altíssimo.

nunca vi, com meus olhos de dentro, algo como tua palavra
tua força 
teu semblante
tua casa da alma. 


és praia sem fim...

preciso caminhar-te, até à margem. sentir a maré.

venha-me, pra vermo-nos.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Dia

a cidade me devora
a tarde me regurgita
a noite remastiga
e a cama engole

Sob

Os olhos do destino me olham fixamente, como um punhal na carne. Posso ver as algemas, as agulhas, a luz que se apaga, o sorriso sujo, a amargura... e quase tudo fui eu mesma quem quis.

O amor sempre maltrata minh'alma; numa ironia sem igual.

Troquei a vida pela sua, meu bem. A noite pelo dia. A fome pelo desejo. No espelho, a imagem.

Andei sobre as pontiagudas horas, sob o céu negro. Sobre o malte e o tabaco.

Quebrei as janelas em mim, quando não pude mais sair. Arremesso-me pedras.

Preciso descansar meus pés no mar e pensar nos meus botões.

Mas ando procurando seu cheiro, sua voz, seu afago.

Penso-te tão grande quanto o Brasil.

Quero-te perto, até que algo de mim brote em teu peito...

Preciso florir-te.

E você precisa adubar-se.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Vereda

Acordei no vazio da cama...

Posso sentir sua alma, do outro lado da cidade.
Adormeço pelos cômodos, com seu cheiro, seu semblante.
Me lembro da dor e transbordo pelos olhos
E se for? Quanto tempo mais?
Seus olhos alcançam? Meu tempo é outro.




domingo, 5 de maio de 2013

Brsl

O Brasil se agita na bandeira
Aquela dentro de mim
que me afaga e protege.

Se agita ao longe
perto do azul do céu,
onde Deus pintou a parede do mundo

Esse meu Brasil tem fome de gente,
fome de amor.
fome do orgulho em seus filhos,
que crescem ao som dos gorjeios
ao som do canto dos galhos
e riachos

Seus filhos são grandes
no som,
na poesia,
na dança da chuva.

Todos cantam a cantiga do vento
que Iansã compõe todo dia,
em sua homenagem

Esse Brasil tem ouro e fome
Tem dor e carnaval
Tem sede e Amazonas
Tem cimento em Pantanal

Esse Brasil é meu amado, confidente,
sorridente.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Noturno

esse meu amor me tira o sono
a madrugada é a tela em branco
para os devaneios do seu corpo

desenho a face rubra com os dedos da alma
como se o visse perto

um nó amarra meu coração
em pensar-te longe, faceiro
a saudade é momentânea
e dura a noite toda

não durmo
penso em falar-te as carícias telepáticas
meus anseios
meu penar sem razão

antes de apagar-me
penso no amor grande
verídico
primeiro
e me encho de euforia
perco o último sono

resta a poesia
a insônia
o singelo romance
o medo da página virada
e o cansaço da tarde alegre

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

L. GRN

circulares fios em torno
do rosto rubro

nariz grave, grande pedra esculpida leve.

desenho a boca
com os dedos: triângulo e lua
a barba emoldura

pontilhada a pele
forte

largos ombros

clavículas,
claves, junto à um gosto ímpar,
assim como o beijo

um colo que é ninho,
feito pelo dengo que ele tem, dentro, em si

o cheiro do ar que expira,
que mora nos pulmões,
é fruta suculenta

as mãos são monumentais
longas

as pernas são imensas rochas,
com curvas
majestosas

traços de carvão e giz nele todo

na alma, um delicado perfume,
que exala pelos poros e me toca,
até dormir a lucidez


ele é o gigante que eu escolhi 
pra morar em minha casa de barro
a casa da alma
onde o velho vem novo
e o mar abençoa
sem retrucar

ele é meu sabiá

-aqui amam-se dois-


Na Noite

- Quando ele vem 
com os olhos cheios de graça?
Com a boca escancarada de riso,
faceiro? 
Quando ele virá?
Pra tocar as cantigas
ninar minhas birras,
meus altos e baixos?

- Ele vem depois do sono,
de manhã, bem tarde.