segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

L. GRN

circulares fios em torno
do rosto rubro

nariz grave, grande pedra esculpida leve.

desenho a boca
com os dedos: triângulo e lua
a barba emoldura

pontilhada a pele
forte

largos ombros

clavículas,
claves, junto à um gosto ímpar,
assim como o beijo

um colo que é ninho,
feito pelo dengo que ele tem, dentro, em si

o cheiro do ar que expira,
que mora nos pulmões,
é fruta suculenta

as mãos são monumentais
longas

as pernas são imensas rochas,
com curvas
majestosas

traços de carvão e giz nele todo

na alma, um delicado perfume,
que exala pelos poros e me toca,
até dormir a lucidez


ele é o gigante que eu escolhi 
pra morar em minha casa de barro
a casa da alma
onde o velho vem novo
e o mar abençoa
sem retrucar

ele é meu sabiá

-aqui amam-se dois-


Na Noite

- Quando ele vem 
com os olhos cheios de graça?
Com a boca escancarada de riso,
faceiro? 
Quando ele virá?
Pra tocar as cantigas
ninar minhas birras,
meus altos e baixos?

- Ele vem depois do sono,
de manhã, bem tarde.