quinta-feira, 6 de junho de 2013

Sob

Os olhos do destino me olham fixamente, como um punhal na carne. Posso ver as algemas, as agulhas, a luz que se apaga, o sorriso sujo, a amargura... e quase tudo fui eu mesma quem quis.

O amor sempre maltrata minh'alma; numa ironia sem igual.

Troquei a vida pela sua, meu bem. A noite pelo dia. A fome pelo desejo. No espelho, a imagem.

Andei sobre as pontiagudas horas, sob o céu negro. Sobre o malte e o tabaco.

Quebrei as janelas em mim, quando não pude mais sair. Arremesso-me pedras.

Preciso descansar meus pés no mar e pensar nos meus botões.

Mas ando procurando seu cheiro, sua voz, seu afago.

Penso-te tão grande quanto o Brasil.

Quero-te perto, até que algo de mim brote em teu peito...

Preciso florir-te.

E você precisa adubar-se.

Um comentário:

Anderson Lopes disse...

O amor te cai muito bem, Bruna!