domingo, 25 de agosto de 2013

Visão da Amada

A poesia é uma moça
De pele bronze,
Ombros largos, colo farto
e belíssimas clavículas.
Ela tem olhos penetrantes,
afim de devorar à todos os amantes.

Tem lábios providos de macia carne,
Dentes de vidro,
com a língua cheirando à jasmim.

A púbis é imensurável fonte
do mais delicado fluido.

Ela agita a estrutura da alma
Me abraça o peito
em chamas.
Aí, me afundo em sua inóspita casa,
seu corpo não-matéria,
sem volta prevista.

Retorno com sede de
retorno,
Com medo do
fim.

Notívaga

ah... como é infindável,
o tempo na espera e na
solidão.

rastejam as patas da infinita centopéia-lírica
das horas

giram as engrenagens das constelações dos relógios
sobrenaturais.

a natureza, Mãe,
acalanta os bichos

desperta o poeta
com o aroma indescritível

faz salivar a boca do Desejo

recolhe os devaneios do varal do sóbrio e
os despeja na madrugada

"de noite ardo", como já dizia o poeta de Oxalá

a inspiração é companheira do ermo.