quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Honrado Anjo

Veja o homem!
É feito de aço e carvão
De pedras, de pinho.
No centro, algodão.
Brotam-lhe flores pelos olhos

Na força dos dentes
E na carne macia dos lábios
Ele profecia
o belo
o horror
a fúria
o pudor
a HONRA!

São tão simples, as palavras
Me toca, pra quase nunca,
mas me penetra, o aroma de sua alma.

Ele é feito de dor e justiça
De amor.

O Outro

Com a boca
Ele toca
A toca

Toca no som
No leito
Que jorra
O desejo

Com a boca
Ele toca
O lábio
A lábia
A carne
O secreto

Com a boca
Ele
AMA

Atiça

Quis escrever poema
assim:
no meio da noite,
como um rango às pressas,
pra voltar ao cobertor.

A inspiração me pinica
cutuca; 
corro ao caderno, prum alívio.

Aí, ela morde o lábio,
sorri e dorme em meu colo,
satisfeita.

Êita, poesia ninfeta!

A Fera

Nos meus olhos, ele quis entregar as antigas paixões
E tal ato compara-se à quase-morte,
ou a sorte de reviver.

A luz entrou pela janela,
e a fera, domada, me deu um beijo
de amor.
Todo entregue...
Ah! O amor!

Depois do delírio
ele se cala.
Fecha as janelas,
me cobre de espanto.

É do medo que ele tem medo.

Velho-Novo

Quase sem coragem,
senti aquilo tudo, outra vez.
Aquele homem claro, coberto de luto
pelo amor findado
E eu pensando na boca
no braço
na língua.
Ele, tão cheio de som,
de graça e poesia...
até que bastava.

Mas era tão belo, seu semblante.
Há tanto tempo eu o sonhei, todo perto.

Me fitou de outros olhos
sorriu, sorri.
A imagem de um deus, um insano, um astro
A fala me excitava; em casa pausa, um suspiro jovial.

Ele me viu
confessei, ele ouviu.
Me veio com um beijo até o fundo.
com olhos azuis e dedos floridos
com a boca feliz de pronunciar
os escritos da alma.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Frondosa

Vermelho. Eu vi no vermelho O formoso corpo, Envolto do meu desejo.
A pronuncia da alma, eu ouço.
Majestosa, 
a clareza o encanto
A paixão que brotou em meu peito, num pequeno e infinito instante, 
desesperou-me. É desconcertante, óh, amada, 
ver-te entregue, tão perto. Sentir teu coração com os ouvidos grudados ao colo. Pensar-te é tão grande... 
tenho-te toda; cada pedaço gravado em mim. Quase posso tocá-la! Sinto-te aqui, agora. E quando escrevo à ti, confesso, 
amedrontada, os retalhos de um tempo calado, 
acendendo em mim, o que é seu.

Quero-te perto! Quero-te MINHA.