domingo, 27 de outubro de 2013

longínqua carícia

os seus póros-pontos
cravaram um desenho lógico
lírico em minh'alma.

teu cheiro na lembrança
me pegou pelo braço.
um gosto, na visão dos teus lábios

olha e revira-me a vontade
do teu corpo.

teu som na moldura
e teu ser, um quadro.
a rasura da mais pura
e profunda beleza.

ah! que desejo
que aquece a espinha
vibra as mãos e os olhos.

venha abrigar-se em mim...
te tenho todo amor de
todos os mares.

venha cedo, pra ficarmos tarde
morrer a noite
renascer notívagos

é amor boêmio
platonicamente poético

domingo, 13 de outubro de 2013

Branco

O mar está me soprando as palavras,
Quase que pra longe.
Na dor, eu tenho escamas.
Eu sinto falta mesmo é do
AMOR.
Nem da palavra, nem das luzes,
Dos seus escombros.
Me falta o tempo-amável.

Nesse tempo eu pensei no barco,
Nos teus sinais, nossos dias.
E resta-me, apenas, os dias brancos...

A memória castiga o homem.
O vento castiga o arrepio, sem perdão.
O mar está soprando outra vez,
E eu desejei que fosse pra longe,
Toda minha vida, intacta nesse poema.
A lucidez me devora
Teus olhos
Meu coração que sufoca

Eu me retiro.
Me atiro.

A esperança, eu enterrei no quintal
De minh'alma.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

fênix

tô olhando por baixo,
pra ver se cai a gota.
aquela que transborda sem piedade
limpa a boca.
depois da morte
a lápide do velho
e a certidão do novo.

venho implorar teu carinho,
poesia.
venha, vento,
soprar minhas velas.

a vida me deu um tiro
no pé
e eu me apunhalei pelas costas

socorra-me, poesia!
deixa ver meu reflexo
e estancar.

quanto mais eu olho
mais eu arranco um pedaço
seu
em mim, cheio de veias e sangue.
deixei pra morrer

pra viver.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Desconcerto

Quanto espinho, meu amor.
A amargura de viver sem paz, sem peito, sem cais
me arrasta ao mais fundo.
Você foi, na tormenta
no castigo da solidão infindável.
Me arrebatou.
Na cegueira, na ira, minha insanidade
de, em algum instante, desamar.

Meu amor, com seu perdão.
Só me deixa na espera do retorno.
Estou afogando-me
desesperando na distância
com o coração em chamas
os olhos em dilúvio.
Na mente, a catástrofe.

Me perdi.
Esse amor devora minh'alma.
Peço à Deus a misericórdia.

Que seja justo, esse amor.
Que seja breve, esse fim.