quinta-feira, 3 de julho de 2014

Noturnada

Este pecado
Será que é mesmo obscuro?
Teu abraço sem aviso arrancou-me sangue da alma
Escaldante.

Todo o amor num segundo infindável,
No calor que esteve acumulado em meu peito,
E, de relembrar, aguça-me os sentidos e revivo:
Fugindo e amansando-me os desejos.

Você é todo ouro, coração e cordilheira,
De olhos bem abertos... nada é mais seu que você.
Nada quero ferir, nem abrir em mim.

Mas meus olhos infecháveis
Desenharam nas memórias, uma página não-matéria
E será uma canção não-sonora em teus ouvidos,
E, talvez, seja só devaneio... mas te vi, todo.

Que descanse em paz, esse momento,
E eu anoiteça meu corpo, quando houver retorno.

Você é elo, é criador de sonhos, o homem-mágico.
Nada é maior em mim, que esse nosso infinito abrigo.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O Credo

O som é deus de olhos limpos
Tem braços enormes e a pele frágil
Ele telepaticamente penetra no mais profundo da alma.
Com os dedos calejados, toca feito um véu lúcido, o imaginário, a vulva da alma. Dentro do som, habita uma mulher escaldante.
Mas que prazer é esse?
Que ser sou eu, quando canto?
Que cheiro tem esse acorde?
A cor mais precisa, mais exuberante é aquela que foge do timbre do cantor, embriagado de amor.  
Protejo meu corpo dos olhos cobiçadores.  Não tenho culpa!
Deus me deu e eu sou um pequeno milagre. Um pedaço da música infinita, que se reproduz no espaço.
Os mestres de outro tempo, talham na madeira de minh'alma, um desenho ilógico, não-matéria, causador de xilogravuras no plano musical.
Desliza um fio por meu corpo,  e quase nem sinto.
De tão grave, o sentimento que rodeia as canções.
É uma pedra que brilha e arde os olhos, mas não cega.

Quereres

Tive um sonho, acordada
De um amor sereno,
Despindo, calma, teu corpo
E sentindo o aroma exalante, embriagante.

Depois um beijo, quente, úmido...
Aquecer-te a alma com o toque sábio.
Seus olhos... ah! Seus olhos!
Me atraem, me arrastam, marítimo, feito sereia.
E eu, salivando, faminta pelo teu gosto.

A impossível
Destruidora
Torturante
Paixão.

domingo, 4 de maio de 2014

Abism

Alcancei minha mão, em meio ao breu
Acendi as luzes da rua vazia
Antiga ruela, cinzenta de minha alma.
Alinhei as horas passadas, pra cessar fogo,
Assumir as rédias da razão
Abrir a porta, ouvir o erro, sangrando, devastando tudo.

Esse amor é pedra bruta, pra se lapidar,
Guardar num papel brilhante, aguardando a chegada
Dos olhos amáveis.

Você é um silêncio em mim, cheio de altas muralhas
E eu adormeço
Penando, ardendo em febre.
Calada será, a cidade
Nada mais é meu.

Que descanse em paz, esse tempo árduo.

domingo, 13 de abril de 2014

Abraçamento em Morte

Nos vejo num abraço de espinhos.
Fincando as pontas bruscamente, sem medo.
Unindo a dor e o desejo, num beijo mortal.
Um sonho pálido, irreal, repleto de pétalas negras,
Fogo e incenso. Tudo me faz respirar o tempo bom, e
A lembrança devolve o pesadelo do último dia.
O tempo corrói as juntas da alma, causando imensa lentidão na caminhada
Cega os olhos, atordoa a mente. Desabriga.
Mas todo esse tempo de solidão, abre os portões da vida...
Me vejo alucinada com o novo-velho. As sensações pequenas, os Sóis, à cada imenso dia.
Pretendo ver o tempo passar com os dedos, com a pele, num coma do amor.
Num sono profundo, em realização.
Teu nome se repete, avança cada vez mais nítido, sobre seu semblante
Que assombra meu sono.
Menino, que saudade.
A árvore cresce com a chuva.
Depois da tempestade, estaremos de pé,
Colhendo os frutos da dor impiedosa.
O amor nos uniu e destruiu.
O amor é feito você: vadio.

terça-feira, 25 de março de 2014

Desfaleceu

A poesia
Me deu um par de brincos
e eu os perdi.
Fiz as malas e parti.
Toda vida que havia foi-se com a
violenta harmonia
entre nós.

A poesia permaneceu em seu
Desmaio.
Pálida.