quinta-feira, 19 de junho de 2014

O Credo

O som é deus de olhos limpos
Tem braços enormes e a pele frágil
Ele telepaticamente penetra no mais profundo da alma.
Com os dedos calejados, toca feito um véu lúcido, o imaginário, a vulva da alma. Dentro do som, habita uma mulher escaldante.
Mas que prazer é esse?
Que ser sou eu, quando canto?
Que cheiro tem esse acorde?
A cor mais precisa, mais exuberante é aquela que foge do timbre do cantor, embriagado de amor.  
Protejo meu corpo dos olhos cobiçadores.  Não tenho culpa!
Deus me deu e eu sou um pequeno milagre. Um pedaço da música infinita, que se reproduz no espaço.
Os mestres de outro tempo, talham na madeira de minh'alma, um desenho ilógico, não-matéria, causador de xilogravuras no plano musical.
Desliza um fio por meu corpo,  e quase nem sinto.
De tão grave, o sentimento que rodeia as canções.
É uma pedra que brilha e arde os olhos, mas não cega.

Quereres

Tive um sonho, acordada
De um amor sereno,
Despindo, calma, teu corpo
E sentindo o aroma exalante, embriagante.

Depois um beijo, quente, úmido...
Aquecer-te a alma com o toque sábio.
Seus olhos... ah! Seus olhos!
Me atraem, me arrastam, marítimo, feito sereia.
E eu, salivando, faminta pelo teu gosto.

A impossível
Destruidora
Torturante
Paixão.