quarta-feira, 16 de março de 2016

Traiçoeira Poesia

Ela, em mim, come os mortos.
Judia se lambuza de sangue.
Restaura os retratos à luz de velas,
para, exclusivamente, ver cair o pranto.

A poesia veste a cor do fogo.
Faz arder a paixão distante.
Corrói as beiradas
Me fura a pele, sem dó.

Me traz o cálice de veneno e o serve,
Com olhos de moça doce.
Me olha padecendo à morte lenta.

Lambe-me a orelha e corre, faceira.

Depois se arrepende,
Vem e me entrega o espetáculo do poeta.

Diz coisas belas em minh'alma e
Me beija leve.

Um comentário:

Thomas disse...

Que lindo! :)