domingo, 13 de maio de 2018

Homem-Gris

Nessas horas contigo, aprendi que as palavras que puseste sobre o tempo - contínuo, contido em você - ainda estão ligadas pelos fios de teus dedos que, por sua vez, estão vibrando diretamente através de seus fios da alma.
Te sinto dormir.
Tocando as próprias mãos, calado.
Através! Sempre através de você! E quando encaro tuas palavras, te encaro num espelho, vendo teus olhos do outro lado.
Trêmulo, como também estou agora, compreendo teu semblante. Descobri teus medos que, como os meus, vivo querendo confessar.
Há prazer e angústia, nessa convivência nossa, na verdade, minha.
Choro sob teu corpo da alma, exposto nas linhas, num desejo profundo de acolher-te no colo. Beijar-te as mãos e os olhos.
Nesse pequeno dia, já escuro e cansado, louvo tua presença e tudo o que te habita: teus ruídos, inquietude trêmula, o riso afoito, a grande, vasta voz. Me arranha a espera. Me percorre o corpo. E você, mesmo intocável, me toca pelas pontas.

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